As eleições parlamentares decorreram este domingo e colocaram um ponto final nos 14 anos de governação do Partido Progressista Sérvio.
A Lista de Estudantes venceu as eleições parlamentares da Sérvia, este domingo, derrubando Aleksandar Vucic, do Partido Progressista Sérvio (SNS), que estava há 14 anos no poder. O apuramento dos resultados ainda não terminou, mas já é certa uma maioria absoluta do novo governo, com cerca de 53% dos votos, quando estão apurados 97% dos votos.
Ilia Srdanović, candidato principal da Lista de EstudantesAP Photo/Petr David Josek
Com fogo de artifício, gritos, dança e carros a buzinar, as pessoas saíram à rua para festejar o fim dos anos de Vucic no poder. "Para mim, isto está a ser como três passagens de ano, todas de uma vez", contou uma cidadã ao The Guardian. "Podemos respirar de novo", acrescentou. "A Sérvia está livre! É um milagre", um estudante revelou à BBC.
"Querida Sérvia, esta noite a voz do povo está a ser ouvida", afirmou o candidato Radomir Saicic, professor na Universidade de Belgrado, enquanto discursava na sede da Lista de Estudantes. "Hoje celebramos a vitória, amanhã construímos o futuro", adicionou, segundo revela o The Guardian.
Em declarações à BBC, Ilija Srdanovic, o candidato principal da Lista de Estudantes, revelou que o país será um "estado livre". A esperança é de "libertar o país da tirania", completou. "A juventude deste país disse que queria mudar a Sérvia e fê-lo com os pés ensanguentados, a percorrer serras e vales para espalhar a liberdade. A partir de hoje, a Sérvia nunca mais pertencerá a um só homem", acrescentou.
Já o líder do SNS veio a público admitir a derrota face aos resultados anunciados. De notar que Aleksandar Vucic renunciou o cargo de presidente da república em setembro deste ano para poder concorrer à posição de primeiro-ministro nestas eleições.
Este movimento surgiu com a revolta dos estudantes, durante os protestos que enchem as ruas das cidades sérvias desde 2024. A queda de uma cobertura de betão na estação de comboios em Novi Sad - que provocou 16 mortos - fez com que a população saísse à rua para se manifestar contra as políticas e as decisões do governo.
Quando se juntaram aos protestos, criando bloqueios nas faculdades e exigindo a publicação dos documentos acerca das obras de reabilitação da infraestrutura, diziam ser necessário que alguém assumisse a culpa pela tragédia. Reivindicavam liberdade de imprensa, direito à habitação e acesso à saúde, acusando o governo de Vucic de corrupção.
Contudo, nenhum estudante fez parte da lista dos 250 candidatos. Apenas professores, cantores, personalidades do desporto e da representação, cientistas e outras figuras nacionais se candidataram. Não existe também um líder convencional declarado, uma vez que todas as decisões são tomadas de forma coletiva, através de plenários.
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