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Zapatero debaixo de olho por voos anuais à Venezuela e pagamentos de consultoria ligados ao caso Plus Ultra

Renata Lima Lobo 24 de fevereiro de 2026 às 19:00

O ex-primeiro-ministro espanhol terá de explicar no Senado os pagamentos recebidos através do presidente da companhia aérea Plus Ultra, detido em dezembro por suspeitas de branqueamento de capital.

No final do ano passado, o presidente da companhia aérea espanhola Plus Ultra, Julio Martínez, e o diretor executivo Roberto Roselli, foram detido por suspeitas de branqueamento de capital. Agora, o jornal , revela que o antigo primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero viajava frequentemente com Julio Martínez em voos fretados pela e para a Venezuela. E agora terá de justificar pagamentos recebidos de Martínez por "consultadorias globais".
Zapatero e Maduro em Caracas (2016)) EPA
Há precisamente uma década, Zapatero tornou-se um dos  entre o governo da Venezuela e as forças da oposição, numa altura particularmente instável no cenário político do país. Iniciativa promovida pela UNASUL (União de Nações Sul-Americanas). "Para essas viagens, o governo venezuelano disponibilizou aeronaves do governo para cobrir pelo menos parte dos trechos da viagem", escreve o diário espanhol, que contou 50 viagens feitas por Zapatero, a maioria das quais até 2018. A partir daí, as viagens resumem-se a algumas por ano, muitas vezes na companhia de Martínez. "Conheci-os num voo para a Venezuela e estavam sentados juntos. A harmonia que demonstraram foi total e parecia que estavam a viajar para a mesma reunião", assegura um trabalhador da área financeira espanhol, que preferiu manter o anonimato, ao jornal. As viagens conjuntas ocorreram entre 2020 e 2025, período em que Martínez trabalhou como consultor externo "para resolver todo o tipo de problema perante as autoridades venezuelanas, segundo a versão da empresa". O empresário recebeu 460 mil euros e um valor muito semelhante foi transferido por Martínez para Zapatero, por "consultadorias globais", através de uma empresa chamada Análisis Relevante, constituída em 2020 e sem funcionários.
Ora, a atual investigação do Ministério Público espanhol a Martínez e Roselli por branqueamento de capitais (que está sob segredo de justiça), procura verificar se os pagamentos feitos a Zapatero correspondem "ao fornecimento de aconselhamento real de Zapatero ou se "constituem comissões em troca de negociações a favor da companhia aérea" perante o governo espanhol, que no pós-pandemia aprovou um resgate público da Plus Ultra no montante de 53 milhões de euros. De acordo com o El Mundo, Martínez tinha garantido pela companhia um bónus de 1% caso realizasse com sucesso os esforços para conseguir o resgate. A Plus Ultra não reconhece esse acordo, mas, explica o jornal, "reconhece que recorreu a Julio Martínez para resolver todo tipo de problemas operacionais da empresa no país caribenho", como questões alfandegárias ou envio de peças para aviões", valorizando "o acesso direto que Martínez tinha com as autoridades do regime de Maduro". Zapatero ainda não foi convidado pelo tribubal, mas irá prestar declarações no Senado espanhol na próxima segunda-feira, a pedido do PP, para ser interrogado sobre o caso Plus Ultra.
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