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Venezuela obtém 346 milhões de dólares do FMI para recuperação após os sismos

Lusa 18 de julho de 2026 às 08:55

Delcy Rodríguez explicou que os fundos vão permitir "apoiar as famílias afetadas em matéria de habitação, infraestruturas e serviços públicos essenciais, entre outras necessidades".

A Venezuela obteve 346 milhões de dólares (302 milhões de euros) "dos próprios recursos" do Fundo Monetário Internacional (FMI), para o processo de recuperação e reconstrução após os sismos de 24 de junho, anunciou a presidente interina.

Procura por vítimas entre os escombros mantém-se na Venezuela

Num comunicado divulgado na sexta-feira, Delcy Rodríguez explicou que os fundos vão permitir "apoiar as famílias afetadas em matéria de habitação, infraestruturas e serviços públicos essenciais, entre outras necessidades".

Rodríguez agradeceu à diretora do FMI, Kristalina Georgieva, pelo "apoio e compromisso, bem como a todas as instituições que tornaram possível este importante passo".

"Continuaremos a trabalhar incansavelmente para proteger o nosso povo e avançar na recuperação do país", acrescentou.

A chefe de Estado deu conta a 8 de julho de uma conversa telefónica com Georgieva sobre a libertação de "recursos bloqueados da Venezuela" no FMI.

A líder chavista exigiu então, mais uma vez, o fim das sanções contra Caracas e do bloqueio dos recursos que, segundo disse, o país necessita para o processo de reconstrução.

Em 09 de julho, a porta-voz do FMI, Julie Kozack, explicou numa conferência de imprensa que Georgieva e Rodríguez discutiram "a utilização da parcela de reserva da Venezuela no FMI, que constitui uma fonte de liquidez importante e de fácil acesso que pode ser mobilizada rapidamente".

A chamada parcela de reserva é diferente dos Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em inglês) retidos pela instituição que ascendem a cerca de 4.500 milhões de dólares (3.934 milhões de euros), o que perfaz um valor total próximo dos 5.000 milhões de dólares (4.371 milhões de euros) em ativos.

Os ativos da parcela de reserva estão imediatamente disponíveis para "ajudar a dar resposta às necessidades humanitárias urgentes decorrentes da catástrofe" e "são o recurso" que a Venezuela "indicou querer utilizar", acrescentou Kozack.

O FMI e a Venezuela retomaram, em abril passado, as relações, que se encontravam suspensas desde 2019.

Desde então, os contactos entre a instituição e o Governo interino de Rodríguez têm sido regulares, com vista a concluir os procedimentos técnicos para permitir que, no futuro, o país possa voltar a aceder aos instrumentos financeiros do FMI.

O número de mortos pelo duplo sismo que atingiu a Venezuela em 24 de junho subiu na sexta-feira para 5.069, após o registo de 139 novas mortes, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelas autoridades venezuelanas.

Os dados foram divulgados pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que indicou também que o número de feridos se mantém nos 16.740.

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