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Trump alerta países para cumprirem acordos tarifários apesar da decisão do Supremo Tribunal

Lusa 24 de fevereiro de 2026 às 07:56

Donald Trump adiantou que quer uma tarifa global de 15%.

O Presidente dos Estados Unidos ameaçou esta terça-feira todos os países que devem cumprir os acordos de tarifas que tenham aceite, apesar da decisão do Supremo Tribunal dos EUA que derrubou muitas das suas tarifas sobre importações.
Donald Trump reage à decisão do Supremo Tribunal LUSA_EPA
"Qualquer país que queira 'brincar' com a ridícula decisão da Suprema Corte, especialmente aqueles que têm 'lesado' os EUA durante anos, e até décadas, será confrontado com uma tarifa muito mais alta, e pior, do que aquela que acabou de aceitar recentemente", escreveu hoje Donald Trump na Truth Social. Donald Trump adiantou que quer uma tarifa global de 15%, acima dos 10% que tinha anunciado imediatamente após a decisão do Tribunal, de sexta-feira passada. A decisão daquele tribunal anulou as tarifas que Trump tinha imposto a quase todos os países, usando uma lei de poderes de emergência. Mas, o presidente republicano não vai desistir da sua ferramenta favorita para reescrever as regras do comércio global e exercer pressão internacional. Uma das ordens executivas de Trump diz que ele pode contornar o Congresso e impor um imposto de 10% às importações de todo o mundo já a partir de terça-feira, no mesmo dia do seu discurso sobre o Estado da União. A Associação Americana de Advogados condenou o ataque de Trump aos juízes do Supremo Tribunal. O Presidente chamou os membros do Tribunal de "desleais à Constituição" e uma "vergonha para as suas famílias", em declarações após terem votado para derrubar as suas tarifas. A associação de advogados disse que, embora as opiniões da Suprema Corte estejam sempre sujeitas a críticas, foi "totalmente inadequado" que o presidente atacasse pessoalmente juízes, individualmente. "Tais declarações arriscam minar o estado de direito e a confiança do público numa justiça imparcial, pilares fundamentais da nossa democracia que têm guiado a nossa nação desde a sua fundação", disse Michelle Behnke, presidente da ABA. "A retórica incendiária contribuiu para o aumento alarmante de ataques e ameaças aos nossos juízes. Isto deve parar", sublinhou.
Uma coligação de grupos de defesa está a instar a administração Trump a dedicar mais tempo e dinheiro para enfrentar a violência sexual nas escolas americanas, afirmando que as vítimas estão a ser ignoradas num momento do desmantelamento do Departamento de Educação. Mais de 100 grupos assinaram uma carta hoje, dizendo que a administração falhou a investigar casos de violência sexual enquanto redobra esforços contra os transgénero. A carta cita uma recente reportagem da Associated Press que revelou que o Gabinete para os Direitos Civis do departamento tinha iniciado menos de 10 investigações sobre violência sexual desde março de 2025. "Em vez de abordar a discriminação real, o OCR têm estado obcecado em usar os seus recursos limitados para investigar mais de 50 escolas por implementarem políticas inclusivas para transgeneros", escreveram os grupos. "Estas não são obrigações concorrentes; são escolhas", defende a coligação. Responsáveis da administração de Trump, por seu lado, culparam a gestão do seu antecessor, Joe Biden, por deixar um acumular de casos. Legisladores democratas continuam a mostrar oposição às tarifas de Trump ao promoverem legislação que exigiria que o governo reembolsasse, com juros, os impostos de importação pagos pelos importadores sob as tarifas que foram derrubadas pela Supremo Tribunal na semana passada. Dezanove senadores democratas assinaram o projeto de lei, mas este precisaria de ter um apoio significativo dos republicanos, incluindo aqueles na liderança, para realmente ter hipótese de ser aprovado. "O esquema fiscal ilegal de Trump já causou danos duradouros às famílias americanas, pequenas empresas e fabricantes que foram duramente atingidos por onda após onda de novas tarifas de Trump", afirmou o senador democrata Ron Wyden, que é um dos que lideram a legislação. Uma equipa de advogados, por seu lado, está a apresentar uma ação judicial contra as autoridades federais em nome de centenas de crianças que foram separadas das suas famílias migrantes e colocadas sob custódia do governo.
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