Secções
Entrar

Soldado russo condenado a prisão perpétua por matar civil na Ucrânia

Débora Calheiros com Leonor Riso 23 de maio de 2022 às 11:54

Vadim Shishimarin, soldado russo de 21 anos que matou Oleksandr Shelipov, foi condenado a prisão perpétua por um tribunal ucraniano.

Um tribunal ucraniano condenou um soldado russo à prisão perpétua por matar um civil ucraniano de 62 anos a tiro enquanto este andava de bicicleta. Esta condenação encerra o primeiro julgamento por crimes de guerra cometidos durante a invasão russa.

REUTERS/Viacheslav Ratynskyi

Já na semana passada, Vadim Shishimarin se tinha declarado culpado pela morte do civil e pedido desculpa à viúva. Hoje, e apesar de na sexta-feira o seu advogado tenha pedido para que fosse absolvido sob a alegação de que apenas estava a cumprir uma ordem, foi condenado a uma pena de prisão perpétua. 

O juiz afirmou que embora Vadim Shishimarin tenha cooperado com a investigação e expressado remorsos, o tribunal não podia aceitar a sua explicação em como não pretendia matar Oleksandr Shelipov quando disparou contra ele.

A Ucrânia assinalou que o julgamento de soldados russos por crimes de guerra cometidos na Ucrânia é uma prioridade. A procuradora-geral da Ucrânia, Iryna Venediktova, avançou estar a preparar 40 casos relacionados com crimes de guerra que podem ser julgados em breve. As autoridades ucranianas declaram já ter registado mais de 10 mil crimes de guerra em todo o país. Segundo juristas, avançar com julgamentos enquanto o conflito decorre é extremamente incomum e pode violar elementos da Convenção de Genebra.

Vadim Shishimarintem 21 anos e é natural de Ust Illyinkk, na região do sudeste da Rússia. No dia em que matou Oleksandr Shelipov, terá fugido com um grupo de soldados num carro roubado e quando passaram pelo ucraniano, um soldado ordenou que Vadim Shishimarin disparasse para que não houvesse provas da sua passagem por aquela vila.

A mãe do soldado russo que foi condenado deu umaentrevista à agência de notícias independente russa Meduza. Afirma que o filho era um jovem carinhoso e gentil que se juntou ao exército devido à falta de oportunidades existentes na sua cidade natal e para ajudar a sustentar a família depois do seu padrasto ter sido assassinado no ano passado.

Contou que a última vez que estiveram em contacto foi no final de fevereiro, e que Vadim Shishimarin lhe disse que iria ficar uma semana sem a contactar porque "tinha de desistir". "Se alguém te disser que eu fui para a Ucrânia não acredites", afirmou. 

Artigos Relacionados
Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana.
Boas leituras!
Artigos recomendados
As mais lidas
Exclusivo

Operação Influencer. Os segredos escondidos na pen 19

TextoCarlos Rodrigues Lima
FotosCarlos Rodrigues Lima
Portugal

Assim se fez (e desfez) o tribunal mais poderoso do País

TextoAntónio José Vilela
FotosAntónio José Vilela
Portugal

O estranho caso da escuta, do bruxo Demba e do juiz vingativo

TextoAntónio José Vilela
FotosAntónio José Vilela