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Reza Pahlavi considera que aceitar portagem a navios no Estreito de Ormuz seria "ceder à chantagem"

Lusa 08 de abril de 2026 às 21:32

Reagindo ao anúncio de um cessar-fogo, Pahlavi afirmou que a sua luta é pela "libertação do regime iraniano".

O filho do último Xá do Irão, Reza Pahlavi, defendeu esta quarta-feira que aceitar a imposição iraniana de portagem a navios que transitam pelo Estreito de Ormuz seria "ceder à chantagem" da República Islâmica.

Reza Pahlavi pede aos manifestantes para tomarem cidades no Irão AP

Perante a intenção do regime iraniano impor taxas de trânsito aos navios que passam pelo estratégico Estreito de Ormuz, após alcançado um acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos na terça-feira, Pahlavi afirmou ao canal de televisão francês LCI que a medida não tem cabimento.

"Vejam o exemplo de Espanha e Marrocos. Gibraltar é um local onde vão começar a cobrar portagens aos navios de cruzeiro que saem? É a mesma lógica... é simplesmente ceder à chantagem", afirmou Pahlavi.

Exilado nos Estados Unidos, Pahlavi não regressa ao Irão desde a revolução de 1979 que derrubou a monarquia, lidera um dos muitos movimentos de oposição com base no estrangeiro e apresenta-se como uma alternativa caso o regime iraniano caia.

Reagindo ao anúncio de um cessar-fogo, válido por duas semanas, Pahlavi absteve-se de comentar os termos do acordo e afirmou que a sua luta é pela "libertação do regime iraniano".

"Esperamos (...) que o mundo livre compreenda que a única solução, não só para nós, mas para todos os nossos vizinhos regionais e para o mundo inteiro, é o afastamento deste regime", defendeu.

Pahlavi discordou das alegações do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que a eliminação do líder supremo Ali Khamenei e de vários responsáveis iranianos tenha levado a uma mudança de regime.

"Qual mudança de regime? São as mesmas pessoas, talvez enfraquecidas, mas ainda a mesma pessoa à frente do Parlamento, as mesmas pessoas no poder judicial, agora o filho de Khamenei substituiu-o. Para nós, não é uma mudança de regime", insistiu.

"Muito sangue foi derramado. Não creio que tenhamos perdido 50 mil pessoas em dois dias (durante a repressão dos protestos em janeiro) apenas por causa de um acordo nuclear americano", adiantou.

O nome de Pahlavi foi entoado pelos manifestantes nos protestos de janeiro contra o regime teocrático e, mais tarde, em grandes manifestações pró-monarquia em fevereiro, em Munique e em várias cidades da América do Norte.

Contudo, o filho do Xá não conseguiu o reconhecimento de Donald Trump, que nunca se encontrou oficialmente com ele e manifestou repetidamente ceticismo quanto à sua capacidade de liderar o Irão.

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