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Putin e príncipe herdeiro saudita debatem crise do petróleo

Lusa 02 de abril de 2026 às 16:53

Líderes estão a discutir vias para solucionar a situação.

Os líderes russo e saudita debateram esta quinta-feira por telefone a crise provocada pela guerra no Irão, a incidência no mercado internacional de petróleo e as vias para solucionar a situação, anunciou a presidência russa (Kremlin).

Putin discursa sobre o ano que passou, relembrando momentos marcantes DR

"Foi debatido detalhadamente um conjunto de temas vinculados à crise no Médio Oriente", informou o Kremlin num comunicado em que deu conta da conversa telefónica entre Vladimir Putin e Mohammed bin Salman.

Os Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande envergadura contra o Irão, que já causou mais de três mil mortos na região.

Teerão respondeu com ataques contra interesses norte-americanos e israelitas nos países do Golfo Pérsico, além de bloquear o Estreito de Ormuz, o que fez disparar os preços do petróleo para níveis acima dos cem dólares por barril.

Putin e Salman expressaram "profunda preocupação com a degradação da situação político-militar na região, as vítimas civis e a destruição de infraestruturas críticas", referiu o Kremlin.

Constataram que "os problemas de extração e transporte de hidrocarbonetos" resultantes da guerra "afetam a segurança energética global".

Ambos acentuaram "a importância do trabalho conjunto realizado no formato da OPEP+ com a participação da Rússia e da Arábia Saudita para estabilizar o mercado internacional de crude".

Os dois líderes mostraram-se satisfeitos "pelo elevado nível da interação russo-saudita que se desenvolve num tom amigável e mutuamente benéfico", acrescentou o Kremlin no comunicado, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Desde o início da guerra, Putin tem mantido conversas periódicas com líderes árabes, incluindo Salman, príncipe herdeiro, primeiro-ministro e líder "de facto" da Arábia Saudita.

A crise no Médio Oriente tem beneficiado a Rússia, que viu os Estados Unidos levantar restrições ao comércio de petróleo russo que tinha imposto a Moscovo devido à invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

O líder russo também recebeu hoje em Moscovo o ministro dos Negócios Estrangeiros do Egito, Badr Abdelatty, a quem reafirmou a disponibilidade para fazer "tudo o que for necessário" para contribuir para a paz no Médio Oriente.

Putin referiu ser importante "normalizar a situação" na região, onde a ofensiva israelo-americana contra o aliado da Rússia dura há mais de um mês.

"Todos esperamos que o conflito termine, e de preferência o mais depressa possível. (...) Repito mais uma vez: da nossa parte, estamos dispostos a fazer tudo o que for necessário para que a situação volte à normalidade", afirmou.

Putin lembrou o discurso de quarta-feira à noite do homólogo norte-americano, Donald Trump, que anunciou mais duas a três semanas de bombardeamentos contra o Irão, e considerou que a situação é "motivo de preocupação universal".

"Reitero: nós, pela nossa parte, estamos dispostos a fazer tudo o que for possível para que a situação volte à normalidade, como se costuma dizer nestes casos, a um estado normativo", declarou, citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).

Putin considerou ainda ser "muito importante para a Rússia conhecer a posição do Egito", que descreveu como um "país fundamental no Médio Oriente".

Aproveitou a ocasião para convidar o Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, a visitar a Rússia e expressou a esperança de que o Egito conte com a "mais alta representação" na próxima cimeira Rússia-África, prevista para outubro.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito enquadrou a visita de Abdelatty nos esforços para reforçar as relações bilaterais em diversos setores e trocar pontos de vista sobre temas de interesse comum.

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