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Processo de Trump contra BBC vai ser julgado em fevereiro de 2027

Lusa 12 de fevereiro de 2026 às 16:16

Trump apresentou queixa em dezembro e acusou a BBC de difamação pela edição maliciosa de um documentário emitido dias antes das eleições de 05 de novembro de 2024, e de violar uma lei da Florida sobre práticas comerciais enganosas.

Um juiz federal norte-americano ordenou esta quinta-feira o julgamento em fevereiro de 2027 do processo do Presidente, Donald Trump, contra a televisão pública britânica BBC por alegada difamação.
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Trump exigiu uma indemnização de 10 mil milhões de dólares (8,4 mil milhões de euros, ao câmbio atual) por considerar que a BBC editou um discurso de 06 de janeiro de 2021 de forma a dar a ideia de que teria incitado ao assalto do congresso. A BCC solicitou em janeiro o arquivamento do processo, mas os documentos do tribunal federal do sul da Florida mostram que o juiz Roy K. Altman rejeitou o pedido, segundo a agência de notícias espanhola EFE. A TV do Reino Unido alegou falta de jurisdição do tribunal em relação à BBC e que Trump "falhou ao fundamentar uma reclamação" por danos. "Este assunto está destinado a um julgamento durante o calendário de duas semanas do Tribunal que começa a 15 de fevereiro de 2027", indicou Altman na resolução. A ordem judicial solicitou ainda que as partes escolham mediadores em março e que iniciem a seleção de peritos em setembro. Trump apresentou a queixa em dezembro, com duas reclamações de 5.000 milhões de dólares cada. Acusou a BBC de difamação pela edição maliciosa de um documentário emitido dias antes das eleições de 05 de novembro de 2024, e de violar uma lei da Florida sobre práticas comerciais enganosas. O documentário em questão, intitulado "Trump: segunda oportunidade?", foi emitido no programa Panorama da BBC.
A edição terá unido secções separadas do discurso para sugerir que Trump ia caminhar com os apoiantes em direção ao Capitólio e "lutar como demónios" durante o assalto à sede do legislativo norte-americano em janeiro de 2021. O processo de Trump considerou a edição do programa "falsa, difamatória e maliciosa". No pedido de arquivamento ao tribunal, a BBC negou que o conteúdo tivesse sido distribuído na plataforma BritBox, que transmite programas britânicos nos Estados Unidos e noutros países. Considerou também que Trump não podia demonstrar que tivesse havido "malícia real" na edição. Embora a estação britânica tenha pedido desculpa no ano passado pelo erro, recusou pagar uma indemnização e afirmou que se defenderia em tribunal. A polémica em torno do caso levou à demissão em 09 de novembro do diretor-geral da BBC, Tim Davie, da diretora de informação, Deborah Turness, e de um membro do conselho de supervisão da estação pública. Mais de 2.000 apoiantes de Trump, que era Presidente, invadiram o Capitólio em Washington para tentar impedir, sem sucesso, a ratificação da eleição do democrata Joe Biden. Trump alegou que a reeleição lhe tinha sido "roubada por democratas radicais de esquerda".
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