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Peru quer acabar com violência contra as mulheres depois de morte de vítima de assédio

03 de junho de 2018 às 08:41

Eyvi Ágreda, uma jovem de 22 anos, foi em Abril regada com gasolina e queimada viva dento de um autocarro. O autor do crime terá sido um homem que há meses a assediava sexualmente.

O combate à violência sobre as mulheres passou a ser "uma prioridade do Estado" no Peru, anunciou este domingo o presidente deste país sul-americano, Martín Vizcarra, que criou ainda uma "comissão de emergência" para enfrentar o problema.

Martín Vizcarra emitiu esta noite uma declaração escrita em que explica que tomou a decisão após a morte, na sexta-feira, de Eyvi Ágreda, uma jovem de 22 anos que em Abril foi regada com gasolina e queimada viva dento de um autocarro. O autor do crime terá sido um homem que há meses assediava sexualmente a jovem.

"O feminicídio de Eyvi deve levar-nos à profunda convicção de que esses eventos não devem acontecer novamente, pelo que é necessário mudar os padrões culturais que justificam essas situações. A violência contra as mulheres não tem justificação ", afirmou o Presidente.

Vizcarra adiantou na sua declaração que a Comissão de Emergência será presidida pelo primeiro-ministro e integrada pelos ministros dos sectores envolvidos nesta questão.

A Comissão irá ainda juntar "os mais altos representantes do Ministério Público e do Judiciário e membros de instituições e organizações da sociedade civil que trabalham com o problema da violência contra a mulher".

O Chefe de Estado peruano explica que "a comissão terá como objectivo preparar um plano de trabalho para a implementação de uma política pública que ofereça protecção, prevenção e atenção em casos de violência contra a mulher, alocando os recursos necessários".

Vizcarra também anunciou que as esquadras de polícia em todo o país serão declaradas "em alerta permanente" para que possam "receber denúncias e aplicar as medidas de protecção correspondentes para salvaguardar a vida e a integridade das mulheres".

O presidente anunciou ainda a criação de um programa chamado "Homens pela igualdade", que busca "envolver e garantir que todos os homens do país tenham acesso às informações necessárias que lhes permitam desenvolver relações respeitosas e igualitárias com as mulheres".

Martín Vizcarra pediu também ao Congresso peruano para delegar poderes para legislar sobre a luta contra a violência contra as mulheres, que incluirá uma proposta normativa para punir o assédio em espaços públicos e privados.

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