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Irão: Reino Unido vai enviar mais meios militares para o Qatar

Lusa 05 de março de 2026 às 15:55

Londres já tinha enviado aviões de combate, mísseis de defesa antiaérea, radares e sistemas antidrone para Chipre e Qatar em janeiro e fevereiro.

O Reino Unido vai enviar mais quatro caças Typhoon para o Qatar, em resposta aos pedidos de "mais ajuda" dos aliados no Golfo, anunciou esta quinta-feira o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

Keir Starmer, primeiro-ministro inglês AP

Esta mobilização visa "reforçar as nossas [do Reino Unido] operações defensivas no Qatar e em toda a região", explicou Starmer, durante uma conferência de imprensa em Downing Street (sede do gabinete governamental britânico).

O primeiro-ministro e líder trabalhista tem sido criticado pela demora no envio de meios militares para a região, nomeadamente para Chipre, onde possui duas bases aéreas, uma das quais foi atingida por um drone na segunda-feira.

No entanto, Starmer salientou que Londres já tinha enviado aviões de combate, mísseis de defesa antiaérea, radares e sistemas antidrone para Chipre e Qatar em janeiro e fevereiro.

"Para garantir que estivéssemos em estado de prontidão elevada" em caso de conflito, frisou.

Dois helicópteros Wildcat, armados com mísseis Martlet antidrone, vão chegar a Chipre na sexta-feira, adiantou o governante, e o contratorpedeiro “HMS Dragon” deverá partir em breve para o Mediterrâneo.

Sobre a decisão de não participar nos ataques ofensivos dos Estados Unidos (EUA) e Israel ao Irão lançados no sábado, o primeiro-ministro reiterou que "a posição britânica de longa data é que o melhor caminho a seguir para o regime e para o mundo é um acordo negociado com o Irão, no qual este país renuncie às suas ambições nucleares". 

"Foi por isso que tomei a decisão de que o Reino Unido não se juntaria aos ataques iniciais dos EUA e de Israel ao Irão. Essa decisão foi deliberada. Foi no interesse nacional e mantenho-a", insistiu. 

O chefe do Governo britânico acrescentou que "permanecerá firme" nos valores e princípios britânicos, "independentemente da pressão para fazer o contrário".

Quando o Irão começou a retaliar, explicou, a situação mudou e o Reino Unido juntou-se às operações de defesa contra os drones e mísseis para proteger as centenas de milhares de britânicos que vivem no Médio Oriente, bem como muitos militares.

"Enquanto a região foi mergulhada no caos, o meu foco tem sido proporcionar uma liderança calma e sensata, no interesse nacional", reivindicou.

Mais de 140 mil britânicos estão atualmente na região e registaram-se no sistema de comunicação consular. Centenas deverão regressar ao Reino Unido nos próximos dias em aviões fretados pelo Governo, tendo o primeiro descolado de Omã esta quinta-feira à tarde.

Entretanto, Starmer disse que mais de 4.000 britânicos regressaram em voos comerciais a partir dos Emirados Árabes Unidos, com mais sete a partir ainda esta quinta-feira, e há mais voos disponíveis a partir de Omã.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Conselho de Liderança iraniano assume atualmente a direção o país.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

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