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Guerra no Sudão privou de educação até agora mais de oito milhões de crianças

Lusa 22 de janeiro de 2026 às 08:25

O Sudão tem sido devastado desde abril de 2023 por uma guerra pelo poder entre o exército regular e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FSR).

Quase três anos de guerra no Sudão privaram mais de oito milhões de crianças de educação, anunciou hoje a organização não-governamental (ONG) Save the Children, que apontou para uma das mais longas interrupções escolares do mundo.
Guerra no Sudão afeta educação de mais de oito milhões de crianças AP
"Mais de oito milhões de crianças — quase metade das 17 milhões em idade escolar — passaram cerca de 484 dias sem pisar uma sala de aula", indicou num comunicado a organização humanitária de defesa das crianças. Trata-se de "uma das mais longas interrupções escolares do mundo", alertou a ONG britânica. A situação no Sudão ultrapassa as interrupções registadas durante a pandemia da Covid-19, nomeadamente nas Filipinas. O Sudão tem sido devastado desde abril de 2023 por uma guerra pelo poder entre o exército regular e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FSR). "Muitas escolas estão fechadas, outras foram danificadas pelo conflito ou servem de abrigo" para os cerca de sete milhões de deslocados em todo o país, sublinha a ONG. O Darfur do Norte, no oeste do país, é o estado mais afetado: apenas 3% das mais de 1.100 escolas ainda funcionam. Em outubro, as FSR tomaram o controlo da cidade de El-Facher, a última das cinco capitais da região que ainda lhes escapavam.
O Cordofão Ocidental, o Darfur Sul e o Darfur Ocidental vêm a seguir, com 15%, 13% e 27% das escolas em funcionamento, respetivamente, de acordo com o comunicado, que acrescenta que muitos professores estão a abandonar os empregos devido ao não pagamento dos salários. Sem investimento urgente, adverte a líder da ONG, Inger Ashing, corre-se "o risco de condenar toda uma geração a um futuro definido pelo conflito". O conflito, que causou dezenas de milhares de mortos, provocou, segundo a ONU, a "pior crise humanitária do mundo". No domingo, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou a multiplicação dos ataques contra "infraestruturas civis essenciais", nomeadamente hospitais, mercados e escolas. Türk manifestou-se ainda alarmado com "o armamento de civis e o recrutamento de crianças". A ONU manifestou repetidamente preocupação com a possibilidade de se estar a assistir a uma "geração perdida" no Sudão.
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