Dez anos depois do Brexit, será que o Reino Unido quer voltar à UE?
66% dos britânicos consideram que o Brexit foi negativo, no entanto não está claro de que forma o Reino Unido poderia regressar à União Europeia.
Dez anos depois da votação que levou o Reino Unido a sair da União Europeia, dois terços dos britânicos consideram que o Brexit foi “negativo”, revela um estudo do European Council on Foreign Relations.
Para 66% dos britânicos, o Brexit foi “negativo” para o Reino Unido e agravou os resultados em questões fundamentais como o custo de vida (66%), o crescimento económico (65%), as oportunidades para os jovens (57%), o comércio (56%) e a gestão da imigração ilegal (56%). Mesmo os 58% da população que votaram a favor do Brexit considera que este agravou os problemas do país com a imigração ilgal, questão que esteve na base da campanha pelo “Leave”.
Os britânicos apontam a Europa como o seu parceiro de segurança preferencial, em vez dos Estados Unidos e 58% são favoráveis a relações de defesa mais estreitas com a Europa.
Para 63% dos eleitores era positivo o regresso da liberdade de circulação em troca de relações comerciais mais estreitas com a União Europeia, no entanto a 23 de junho de 2016 51,9% dos britânicos optaram por sair da União Europeia.
Este sentimento da população aliado ao momento de instabilidade política que o país vive, depois do primeiro-ministro Keir Stramer se ter demitido, gera cada vez mais questões sobre a reaproximação do Reino Unido à União Europeia.
Ainda não está totalmente claro se o Reino Unido vai a votos ou se o próximo primeiro-ministro vai ser escolhido dentro do partido trabalhista, no entanto Stramer disse que os candidatos a substituí-lo teriam entre 9 e 16 de julho para angariar o apoio necessário para se candidatarem. O regulamento do partido diz que os candidatos precisam de ter o apoio de 81 deputados trabalhistas, assim como de 32 das 634 secções locais do Partido Trabalhista, ou por três organizações filiadas ao partido.
Se mais do que um deputado conseguir ultrapassar esse limite terão de ser realizadas eleições internas, antes de o regresso dos trabalhos parlamentares a 1 de setembro. No entanto existem indícios de que tal não será necessário, Andy Burnham já confirmou que se vai candidatar e parece ter apoio mais do que suficiente para garantir o lugar, no entanto a oposição está a exercer pressão para que sejam marcadas eleições antecipadas.
Apesar de a atual aproximação dos britânicos ao Bloco europeu, o desejo de regressar à União Europeia não é partilhado por todos e qualquer avanço nesse sentido está dependente do resultado de uma possível eleição uma vez que o Partido Conservador já deixou bastante claro que não pretende reverter o Brexit. No entanto vários dos trabalhistas apontados à liderança do partido têm esse desejo.
O atual ministro da saúde, Wes Streeting, já afirmou que o Reino Unido deveria voltar a aderir à UE no futuro enquanto Andy Burnham, presidente da Câmara de Manchester, referiu que deseja que o país regresse ao Bloco durante o seu mandato – o que garantiu que não significa que tentaria concretizar esse objetivo caso se tornasse primeiro-ministro já este verão. Não é esperado uma nova adesão ocorra sem eleições ou um novo referendo para ter o aval dos eleitores britânicos.
Se o pedido de reentrada for feito existem várias condicionantes que podem influenciar o processo, e não está sequer claro se o Reino Unido teria de passar pelo mesmo processo dos restantes países candidatos, ou se teria acesso a um processo diferente de readesão.
O Reino Unido foi membro do Bloco durante 47 anos, durante os quais conseguiu alcançar um status especial ficando isento de algumas políticas centrais e tendo um desconto nas contribuições para o orçamento da UE, apesar de assumir um papel de definição de agenda. Em futuras negociações este é outro dos temas que pode criar tensão uma vez que numa nova adesão não deve ser capaz de manter este estatuto de privilégio.