Cuba: Rússia anuncia novo envio de petróleo para Havana
O ministro da Energia russo referiu que a decisão foi tomada após uma reunião realizada em São Petersburgo com representantes cubanos.
O ministro da Energia russo anunciou esta quinta-feira que a Rússia está a preparar um segundo carregamento de petróleo para Cuba, após a chegada de um primeiro petroleiro que rompeu o bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos.
"Um navio russo rompeu o bloqueio. Agora está a ser carregado o segundo. Não abandonaremos os cubanos", declarou Serguei Tsivilev à imprensa local num fórum sobre energia realizado na cidade russa de Kazan.
O ministro da Energia referiu que a decisão foi tomada após uma reunião realizada em São Petersburgo com representantes cubanos.
Chegou esta semana a Cuba o primeiro carregamento de petróleo desde que Washington bloqueou a entrada de hidrocarbonetos na ilha caribenha na sequência da captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro.
O petroleiro "Anatoli Kolodkin" atracou na terça-feira no porto de Matanzas com 730 mil barris de crude.
A confirmação de um novo envio surge um dia depois do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Ryabkov, ter dito que a Rússia iria continuar a apoiar Cuba.
"Simplesmente não temos o direito de os abandonar à sua sorte. Continuaremos a ajudar Cuba", disse Ryabkov em declarações à agência russa TASS.
O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, agradeceu também na quarta-feira nas redes sociais a Moscovo e em particular ao homólogo russo, Vladimir Putin.
"Obrigado, Rússia. Obrigado, Presidente Putin. Obrigado aos tripulantes do petroleiro 'Anatoli Kolodkin' que, ao atracarem no porto cubano com a sua valiosa carga de combustível, nos trazem a certeza de uma amizade comprovada nos momentos mais difíceis, como tantas vezes ao longo da história", escreveu Díaz-Canel nas suas redes sociais.
O líder cubano assegurou que Havana continuará a "defender o direito soberano de importar combustíveis, sem qualquer tipo de ingerência ou pressões".
Díaz-Canel disse ainda que as autoridades do país já estavam a trabalhar no descarregamento, processamento, distribuição e na utilização racional do petróleo e salientou que "esta remessa, embora insuficiente no meio da grave escassez, irá aliviar gradualmente a situação nas próximas semanas".
Cuba necessita diariamente de cerca de 100.000 barris para satisfazer as suas necessidades energéticas, dos quais cerca de 40.000 provêm da sua produção nacional.
A impossibilidade de cobrir o restante da procura traduziu-se em prolongados cortes de energia diários e na paralisação quase total da economia.
A empresa de eletricidade estatal União Elétrica (UNE), que tem compilado diariamente os efeitos dos apagões em Cuba, indicou que apesar da ajuda a ilha irá sofrer hoje cortes de energia prolongados ao longo de todo o dia, prevendo que no momento de maior procura 52% da ilha fique sem energia.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a importância de Moscovo ter rompido o bloqueio imposto por Washington e descartou que a chegada de petróleo a Cuba tivesse qualquer impacto na situação atual da ilha.
"Não me incomoda (...) eles têm um regime mau, têm uma liderança má e corrupta, e se lhes chega ou não um navio de petróleo, isso não importa", indicou o governante republicano.
A incapacidade das autoridades cubanas de satisfazer a procura de energia levou a um ponto crítico a escassez de petróleo, o que agravou os prolongados cortes de energia diários e provocou uma paralisia quase total da economia, além de afetar serviços básicos de saúde, transportes e outros.