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Como a relação de amizade de Meloni e Trump azedou em menos de um ano

Diogo Barreto 21 de junho de 2026 às 20:38

Meloni foi convidada para a inauguração da segunda presidência Trump e em outubro era descrita como "encantadora". Oito meses depois, tudo mudou.

"Uma jovem e linda mulher." Foi desta forma que Donald Trump descreveu Giorgia Meloni, a líder de direita italiana, em outubro de 2025. Oito meses volvidos, a relação entre os dois está num ponto bem diferente, tendo a europeia atacado o líder norte-americano pela sua postura durante a reunião do G7. A relação entre os dois líderes tem vindo a deteriorar-se nos últimos meses, mas esta semana parece ter sido o ponto final da mesma.

Meloni e Trump no tempo em que ainda eram amigos AP

Quando começou a liderar a Itália, Meloni posicionou-se como uma líder europeia pró-Trump, num continente que se demonstrava semi-hostil ao presidente dos Estados Unidos. Foi inclusive a única líder a ser convidada para o discurso de inauguração do Presidente. Mas em abril tudo mudou.

O primeiro momento que apontou para a deterioração da relação deu-se em abril quando Trump a condenou por não apoiar a invasão do Irão por parte dos Estados Unidos e Israel e acusou Meloni de "falta de coragem". Outro marco foi a guerra de palavras entre Trump e o Papa Leão XIV, que foi amplamente crítico da guerra contra o Irão. Meloni considerou "inaceitáveis" os ataques de Trump ao líder da Igreja Católica. Trump respondeu: "Ela é que é inaceitável porque não quer saber se o Irão tem armas nucleares e que poderia rebentar com a Itália em dois minutos se tivesse essa hipótese". 

E agora no G7, a relação deteriorou-se ainda mais. Segundo a , Trump afirmou que Meloni implorou por uma fotografia com ele durante a cimeira, realizada em Évian-les-Bains, em França, e que só teria aceitado porque sentiu "pena" desta. A primeira-ministra italiana acusou Trump de ter "inventado" a história sobre o encontro entre ambos à margem da cimeira do G7.

Na entrevista, Trump terá começado por perguntar ao jornalista pela primeira-ministra italiana e, depois, referido o encontro que ambos tiveram durante a cimeira. “Ela provavelmente está feliz por eu ter falado com ela. Eu não tinha de falar com ela”, disse o líder norte-americano.

Meloni respondeu através de um vídeo publicado nas redes sociais, acompanhado da frase “A Itália e eu nunca imploramos”. A primeira-ministra disse estar “francamente estupefacta” com as declarações de Trump e classificou-as como “completamente inventadas”. “Não sei porque é que o Presidente dos Estados Unidos se comporta assim com os seus aliados. Não é a primeira vez”, afirmou.

 O incidente ocorreu poucos dias depois de imagens da cimeira do G7 terem mostrado Trump e Meloni a conversar em vários momentos, incluindo sentados lado a lado num sofá. A  assinala que essas imagens tinham sido interpretadas como sinal de uma possível reaproximação entre os dois líderes, depois de meses de tensão provocada por divergências sobre o Médio Oriente, a guerra no Irão e a posição dos Estados Unidos em relação à Ucrânia.

Este fim-de-semana, a situação azedou novamente. No sábado, Donald Trump voltou a comentar a troca com Meloni, numa breve publicação na Truth Social, criticando a atuação da chefe do governo em Roma. "A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, pediu-me repetidamente para tirar uma fotografia com ela durante a cimeira do G7 em França. A sua popularidade em Itália é baixa, talvez porque rejeitou a oferta dos Estados Unidos da América, um país que realmente ama e protege a Itália, quando se tratou de impedir que o Irão obtivesse ou desenvolvesse uma arma nuclear (mas a NATO também o fez, de resto!)", escreveu Trump.

"Nem sequer nos permitiu usar as pistas de aterragem italianas, um enorme inconveniente logístico, e isto apesar de os Estados Unidos contribuírem com centenas de milhar de milhões de dólares por ano para a proteção da Itália e de outros chamados aliados da NATO. Agora, depois da derrota militar do Irão às mãos dos Estados Unidos, quer voltar a ser minha amiga para 'aumentar a sua popularidade'. Não, obrigado!!!", concluiu Trump.

Meloni partilhou este sábado um comunicado nas redes sociais em resposta às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, instando-o a preocupar-se com as questões internas do próprio seu pais. "Quanto à minha popularidade, o facto de ser tua amiga não ajudou em nada, nem isso depende da minha relação contigo. A minha popularidade depende da minha capacidade para defender o interesse nacional de Itália e tem sido precisamente isso que tenho feito."

"Estes ataques constantes e injustificados são absurdos", escreveu ainda governante italiana.

Meloni garantiu no mesmo post que a utilização das bases americanas em Itália "rege-se por acordos que sempre foram respeitados" . E acrescentou: "Não poderão ser violados enquanto eu for primeira-ministra. Itália continua a ser uma nação soberana."

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