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Canadiano vendia veneno online para pessoas que queriam tirar a própria vida

Luana Augusto 29 de maio de 2026 às 21:55

Kenneth Law vendeu "pacotes de suicídio", que levaram à morte de mais de 79 pessoas, por quase 60 euros. Esta sexta-feira declarou-se culpado de 14 acusações depois de ter chegado a acordo com os procuradores.

Um canadiano de 60 anos vendeu cerca de 1.200 "pacotes de suicídio" com veneno a pessoas de todo o mundo, que conheceu em fóruns online sobre o suicídio e na sexta-feira declarou-se culpado. À juíza Michelle Fuerst disse que entendia a dimensão dos seus crimes, mas anteriormente havia negado tais atos.

Kenneth Law no tribunal em Brampton, Ontário Alexandra Newbould/The Canadian Press via AP

Segundo as autoridades, Kenneth Law vendeu pacotes de substâncias tóxicas a pessoas de 40 países, incluindo de Itália, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia e esta sexta-feira, no tribunal de Newmarket, em Otário, declarou-se culpado de 14 acusações de auxílio ao suicídio, como parte de um acordo com os procuradores que prometeram retirar as acusações mais graves de homicídio. O momento deixou os familiares das vítimas emocionados.

Todas as acusações dizem, no entanto, respeito apenas às vítimas canadianas.

Ashtyn Prosser-Blake, um jovem de 19 anos de Ontário, foi uma das vítimas de Law que morreu por suicídio em março de 2023. A sua saúde mental começou a piorar após a pandemia da Covid-19. Blake ainda frequentou a faculdade durante um ano mas desistiu e decidiu ficar em casa, onde "continuou a sofrer", segundo a mãe. Depois disso cometeu o suicídio.

A maioria das vítimas foram encontradas pelos pais. Num dos casos, a família ouviu o jovem a vomitar e a implorar pela ajuda dos pais ao contar que havia ingerido uma substância tóxica. Já num outro caso, um homem de 29 anos ligou para os serviços de emergência a pedir ajuda e disse que também ele havia ingerido um veneno. "Por favor, vou morrer em breve", disse, e começou a chorar. Quando as equipas de emergência chegaram estava inconsciente e com dificuldade em respirar. Acabou por ser declarado morto no hospital.

Enquanto isso, um homem na casa dos 30 anos, também foi encontrado morto num carro alugado em Toronto e, prevendo o cenário, deixou uma doação aos socorristas que encontraram o seu corpo.

Também 79 vítimas britânicas acabaram por morrer da mesma substância. As famílias mostraram-se indignadas com o facto de os procuradores do Reino Unido não o terem acusado pelas mortes dos britânicos.

No Reino Unido, Thomas, de 22 anos, usou esta substância vendida por Law, pela qual pagou 50 libras (o equivalente a 57 euros). O seu corpo foi encontrado em 2011 num hotel em Sunbury-on-Thames, Surrey. Na maioria dos casos, os pacotes foram encontrados ao lado das vítimas.

Kenneth Law acabou por ser preso em maio de 2023, depois de um jornalista da revista Times ter alegado que este vendia veneno para jovens e de se ter passado por um cliente para confirmar o caso. No momento da sua detenção, Law havia recebido o equivalente a 184 euros.

Uma complexa investigação, que envolveu investigadores de uma dúzia de países como Reino Unido, Itália e Reino Unido, foi depois conduzida por pelo menos 11 agências policiais. Em 2023, detetives canadianos disseram à BBC que Law geria vários sites que ofereciam equipamentos e substâncias para ajudar as pessoas a tirar a própria vida.

Law acabou por ser acusado de auxílio ao suicídio - um crime que, segundo o código penal canadiano, pode resultar em 14 anos de prisão. Aguarda agora a sentença prevista para setembro.

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