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Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprova projeto de lei para “acabar com a mudança” de hora

Débora Calheiros Lourenço 15 de julho de 2026 às 10:55

O país deve passar a viver no horário de verão, isto enquanto os líderes europeus não chegam a um consenso sobre mudança da hora.

A Câmara dos Representantes aprovou na terça-feira um projeto de lei para tornar o horário de verão permanente nos Estados Unidos.  

Câmara dos Representantes aprova fim da mudança de horário AP Photo/J. Scott Applewhite

Os defensores da medida argumentaram que a mudança proporcionaria mais horas de luz durante os períodos do dia em que os norte-americanos estão mais ativos. Agora os vários estados podem optar por participar, ou não, nesta mudança, tendo em conta o que for decido pelas respetivas assembleias legislativas, e o Senado também terá de aprovar o projeto de lei.  

O republicano Gus Bilirakis, da Flórida, defendeu que os norte-americanos estão prontos para “abandonar a mudança de horário” e que a alteração bianual causa transtornos desnecessários. Assim sendo acredita que esta alteração daria às famílias mais tempo de luz solar para passearem ao ar livre e apoiarem o comércio local: “No meu estado natal, a Flórida, onde o turismo é um pilar da nossa economia, ter horas de luz do dia mais previsíveis é uma melhoria prática que beneficia trabalhadores, empresas e visitantes”.  

Os críticos argumentam que adotar o horário de verão de forma permanente vai tornar as manhãs de inverno mais escuras e potencialmente mais perigosas, especialmente tendo em conta que nesses horários as crianças estariam à espera dos autocarros escolares.  

“Milhões de norte-americanos vão acordado durante os meses de inverno na escuridão total, com o sol a nascer muito depois de as pessoas se levantarem e irem para a escola, para o trabalho ou realizarem as suas atividades diárias”, defendeu a deputada democrata da Pensilvânia, Mary Gay Scanlon.  

Uma pesquisa realizada em 2025 pelo Centro de Pesquisa de Assuntos Públicos da Associated Press demonstrou que, se fossem forçados a escolher, a maioria dos norte-americanos preferia ter mais horas de luz ao final do dia. Se tivessem de escolher uma opção para todo o país, 56% dos adultos inquiridos referiram preferir que o horário de verão se tornasse permanente.  

Antes da votação pela câmara, a Casa Branca considerou a medida como uma reforma popular e sensata e afirmou que os seus assessores recomendariam que o presidente aprovasse o projeto de lei.  

A mudança da hora, que também ocorre na maioria dos países europeus, é igualmente muito discutida deste lado do oceano, no entanto, a maior parte dos políticos e especialistas têm defendido a manutenção da hora de inverno, ao contrário do que está a ocorrer nos Estados Unidos.  

Exemplo disso é que no passado outono  anunciou que iria apresentar uma proposta para acabar com a mudança. Na altura o primeiro-ministro espanhol defendeu: “Os relógios vão mudar novamente esta semana e, francamente, não vejo sentido nisso. Em todas as investigações que os espanhóis e europeus foram entrevistados, a maioria mostrou-se contra a mudança de horário”. 

A Comissão e o Parlamento europeus apelaram, na mesma altura, ao consenso entre os estados-membros para pôr fim ao acerto sazonal dos relógios.

Em 2018, 84% dos 6,4 milhões de europeus que participaram numa consulta pública da Comissão Europeia sobre a mudança de horário disseram que a UE deveria acabar com o horário de verão.  

A mudança sazonal de horário foi introduzida pela primeira vez durante a Primeira Guerra Mundial, numa tentativa de conservar o carvão, mas foi abandonada depois do fim do conflito. No entanto, preocupações energéticas levaram a maioria dos países a reintroduzir o sistema durante a Segunda Guerra Mundial e mantiveram-na até hoje. As regras atuais datam a 2001 e especificam que os países devem adiantar os seus relógios uma hora à 1h00 do último domingo de março e atrasar uma hora no último domingo de outubro. 

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