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Agentes do Serviço de Imigração detêm criança de 2 anos em Minnesota: "Horror inimaginável"

Isabel Dantas 24 de janeiro de 2026 às 11:42

A menina e o pai foram depois transportados de avião para um centro de detenção no Texas.

Depois de o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) ter detido, na última terça-feira, , em Minnesota, dois dias mais tarde aconteceu algo parecido, mas agora com uma menina de apenas dois anos. A criança e o pai, que foram abordados pelos agentes por volta das 13 horas de quinta-feira, quando regressavam das compras, acabaram por ser levados num avião para o Texas, isto apesar de um juiz federal ter ordenado a libertação da criança nesse mesmo dia.
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Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega em ação
Foto: AP
Minnesota continua na mira dos agentes do ICE
Foto: AP
Irina Vaynerman, advogada de direitos civis que defende a família, contou ao 'The Guardian' que na sexta-feira pai e filha tinham sido trazidos de volta para Minnesota e que a menina já tinha sido entregue à mãe. Já o pai continua detido. "O horror é verdadeiramente inimaginável. A depravação de tudo isso é indescritível", sublinhou a advogada. Kira Kelley, outra advogada da família, relatou num documento judicial como se deu a detenção. Pai e filha chegavam a casa das compras quando os agentes entraram no quintal e, na entrada da garagem, sem mandado de detenção, partiram um vidro do carro com a criança no seu interior.  A mãe estava em casa, prosseguiu a advogada citada pelo mesmo jornal, mas os agentes não permitiram que o pai lhe entregasse a menina. Pai e filha foram depois colocados numa viatura que não tinha cadeirinha de transporte para crianças.
Os advogados exigiram a libertação de ambos. Um juiz federal emitiu uma primeira ordem ao princípio da noite a proibir a saída de pai e filha do estado e uma segunda, exigindo a libertação imediata da criança. "É desnecessário dizer que ela não tem antecedentes criminais”, escreveu o juiz sobre a menina. Mas as ordens foram ignoradas e ambos seguiram num avião para o Texas, para um centro de detenção, de onde voltariam no dia seguinte.
O pai é equatoriano e tem, segundo os seus advogados, um pedido de asilo pendente, pelo que não há uma ordem final de deportação. A menina vive em Minneapolis “desde sua chegada aos Estados Unidos, ainda recém-nascida”. Pressionado pela imprensa, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS) explicou que o homem foi identificado como "imigrante ilegal" numa "operação de fiscalização direcionada", depois de ter chamado a atenção pela forma "errática" como conduzia o veículo. 
Explicou ainda que o pai se recusou a abrir a porta do carro ou a baixar o vidro e que os agentes “tentaram entregar a criança à mãe, que estava no local", mas que ela "recusou-se a recebê-la”.  Vaynerman garante que a alegação de que a mãe se recusou a ficar com a filha é falsa, frisando que os agentes não permitiram que o pai levasse a menina para dentro de casa. “A falta de humanidade em cada etapa deste processo, no que o governo vem a fazer e na forma como vem a deter pessoas ilegalmente, incluindo bebés e crianças, é verdadeiramente inimaginável”, disse Vaynerman. “E, no entanto, é aqui que nos encontramos. É preciso pôr um fim a esse tipo de crueldade.”
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