Agentes do ICE detêm mulher de soldado norte-americano em base militar poucos dias depois do casamento
Quando os cidadãos norte-americanos casam com imigrantes não documentados, os seus parceiros tornam-se elegíveis para receberem a residência permanente legal no país.
Um soldado do Exército norte-americano e a sua esposa chegaram à base militar de Louisiana na semana passada com a expectativa de começarem por lá a sua vida como recém-casados.
Mas em poucas horas estes planos desmoronaram-se, depois de agentes do Serviço de Imigração (ICE) entrarem na base e deterem Annie Ramos, mulher do soldado Matthew Blank, hondurenha, levada para os EUA em criança e indocumentada mas sem antecedentes criminais. A estudante, de 22 anos, foi levada para um centro de detenção e enfrenta agora a deportação no âmbito da campanha contra a imigração ilegal levada a cabo pela administração Trump.
Ao jornal norte-americano The New York Times, Blank explica que o plano do casal "era ir de carro até [à base militar], levá-la ao escritório para obter o cartão de identificação militar e ativar os benefícios de cônjuge militar", como o seguro de saúde e de vida. Contudo, foi dentro da base militar, durante processo de conseguirem a identificação de Annie, que funcionários notaram que ela não tinha um documento de residência legal e chamaram as autoridades.
"Ela ia mudar-se para cá depois do fim de semana da Páscoa, em vez disso, foi-me arrancada”, lamenta o soldado, que está prestes a acabar o seu treino para ser destacado e enviado para missões.
Segundo a publicação, quando cidadãos norte-americanos se casam com imigrantes não documentados, os seus parceiros tornam-se elegíveis para receberem residência permanente legal por via do casamento. Três anos após receberem o “cartão verde”, o documento de residência permanente, podem pedir a cidadania. Mesmo os imigrantes que podiam já ter recebido uma ordem de deportação no passado não costumavam ser detidos. Isto antes da administração Trump...
Antes de casar o casal tinha contratado um advogado de imigração para dar início ao processo de conseguir o ‘cartão verde’ para Ramos. “Estávamos a fazer tudo de forma correta”, afirmou o soldado ao The New York Times. Contudo, a sua esposa já tinha recebido uma ordem de deportação em 2005, quando tinha apenas 22 meses, depois de a sua família não ter comparecido a uma audiência no tribunal de imigração.
Num comunicado, o Departamento de Segurança Interna dos EUA afirmou que Annie Ramos tinha sido detida “depois de ter entrado numa base militar” citando o seu estatuto de imigrante ilegal e indicando que lhe tinha sido emitida uma nova ordem de deportação. “Esta administração não vai ignorar o Estado de direito”, conclui.
O casal conheceu-se o ano passado através de uma aplicação de encontros. Ficaram noivos no dia de Ano Novo e no final de março casaram-se em Houston, no Texas, onde Annie Ramos cresceu.
Siga-nos no WhatsApp.