"A sua filha atropelou uma criança. Tem de pagar 90M€ de fiança": a burla que enganou pelo menos 14 pais na Alemanha
Máfia de Leste tinha uma das bases de operações em Madrid, que foi desmantelada pela Polícia Nacional.
A polícia espanhola ajudou as autoridades alemãs a desmantelar uma burla levada a cabo por mafiosos do leste europeu que aplicaram um golpe na Alemanha pelo menos 14 vezes, a partir dos arredores de Madrid. Uma burla ao estilo "olá mãe, olá pai", mas muito mais assustadora.
Neste caso os pais - já idosos - recebiam uma chamada de uma pessoa transtornada, fazendo-se passar pela filha. "Mãe, aconteceu uma coisa horrível..."
Antes que a alegada filha pudesse explicar o que tinha acontecido, um suposto polícia pegava no telefone e exigia 90 mil euros para pagar uma fiança e evitar a prisão. "A sua filha atropelou uma mulher e o filho, a criança morreu. A mãe está em estado crítico nos cuidados intensivos."
Entre os soluços da 'filha' e as palavras do 'polícia', muitas pessoas acabaram por proceder ao pagamento, houve pelo menos 14 casos, segundo revela o jornal ABC, referindo que as investigações ainda estão a decorrer pelo que o número de vítimas pode ser bem maior.
A polícia descobriu que o centro de operações dos burlões era num apartamento no bairro de Chamartín, em Madrid. Nesse local, três mulheres e um homem faziam-se passar pela filha e pelo polícia, enquanto que na Alemanha dois cúmplices 'vestiam a pele' de procuradores e encontravam-se com as vítimas para recolher os 90 mil euros em dinheiro ou joias.
"A organização criminosa procurava as suas vítimas na Alemanha e estabelecia call centers em outros países, para dificultar as investigações devido às exigências de cooperação entre as forças policiais. Acreditamos que eles selecionavam as vítimas previamente, visando idosos, e ligavam sempre para telefones fixos", explicaram as autoridades espanholas, que localizaram a base da filial no país após receberem diversos mandados de prisão europeus emitidos pelas autoridades da Baviera.
Os burlões faziam pelo menos 100 telefonemas por dia. Metade das pessoas atendiam e apenas algumas caíam no esquema. Aos pais que acediam pediam o nome completo da filha, bem como a data e local de nascimento, reunindo, assim, todas as informações necessárias. Depois exigiam dinheiro e, se as vítimas não o tivessem, sugeriam que o pagamento da diferença fosse feito em peças de ouro.
As autoridades estimam que esta rede terá embolsado mais de 1,2 milhões de euros desde janeiro. Os investigadores continuam a analisar os registos porque acreditam que há mais vítimas.