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A sete meses das eleições, há 31 candidatos ao Eliseu: Le Pen lidera as sondagens nas duas voltas

Marta Rodrigues 04 de setembro de 2026 às 07:00

Édouard Philippe e Jean-Luc Mélenchon disputam o segundo lugar, havendo sondagens que dão vantagem a um e outras ao outro.

As eleições presidenciais em França estão marcadas para 18 de abril de 2027 e já concorrem 31 figuras políticas, segundo a contagem do Le Nouvel Obs. Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional, aparece em primeiro nas intenções de voto e, segundo indicam as sondagens, deverá ir à segunda volta, a 2 de maio. A disputar o pódio, estão Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, Édouard Philippe, do Horizontes, e Raphaël Glucksmann, do Place Publique. 

Marine Le Pen Christian Hartmann/Pool Photo via AP

Espera-se uma eleição fragmentada, dado o número de candidatos. O primeiro-ministro francês, Sebástien Lecornu, até ironizou: "Vamos ter de ter cuidado para que não haja mais candidatos do que eleitores." Apesar da concorrência, Le Pen tem, à data, a candidatura mais forte. Segundo indicam várias sondagens, ganha em ambas as voltas independentemente do candidato com quem as disputar.  

A sondagem da Elable, publicada a 29 de agosto, indica Le Pen com 31% a 35,5% das inteções de voto; Phlippe aparece em segundo com 17% a 20% (ultrapassou Mélenchon face à sondagem de julho); Mélenchon com 14 a 14,5%; e Glucksmann com 11% a 14%. Já a da Toluna, divulgada a 24 de agosto, revela Le Pen com 35% a 38% das intenções de voto; Mélenchon com 16%; Philippe com 11%; e Glucksmann com 8%.  

Nos diferentes cenários testados para a segunda volta, Le Pen aparece em primeiro em todos. Venceria com 68% contra Mélenchon, com 57% contra Gabriel Attal e 55% contra Philippe. A sondagem da Elable segue o mesmo sentido. Le Pen venceria Mélenchon por 69,5%, Glucksmann por 57% e Attal por 57%. Contra Philippe venceria na mesma, mas a disputa seria mais renhida, com 52,5% contra 47,5%.

A sondagem da Toluna revela também que uma parte significativa do eleitorado francês - entre 25% e 32% - preferiria votar em branco, nulo ou abster-se na segunda volta. 

Importa lembrar que as sondagens não são vinculativas. Os dados são meramente indicativos das intenções de voto dentro de determinado período de pesquisa e a opinião pública pode alterar-se ao longo do tempo, tendo em consideração que ainda faltam oito meses até às eleições.  

Eleições Presidenciais França AP Photo/Thomas Padilla, File

A condenação não afetou a popularidade de Le Pen

Há muito que Le Pen declarou a vontade de se candidatar às eleições de 2027 e formalizou a candidatura em julho, depois de a decisão do tribunal de recurso assim o permitir. A 7 de julho, o Tribunal da Relação de Paris confirmou a condenação de três anos de prisão (dois dos quais suspensos e um com pulseira eletrónica) por desvio de fundos europeus para pagar a funcionários do partido.  

Contudo, a pena de inelegibilidade reduziu 30 meses, de 45 para 15. Como esse período já passou desde a anterior sentença, pode concorrer em 2027. A dirigente recorreu da decisão na Cour de Cassation, o mais alto tribunal francês, e, até ser conhecido o resultado, a aplicação da pena está suspensa. Segundo avançou ao canal francês TF1, só se tivesse de usar pulseira eletrónica é que recuaria da campanha eleitoral.  

O processo judicial valeu-lhe fortes críticas. Foi vaiada na rua, mas, afinal, a condenação não afetou a popularidade e agora é a favorita à sucessão de Emmanuel Macron, atual presidente de França a terminar o segundo mandato consecutivo. Será a quarta tentativa de Le Pen para chegar ao poder, depois de, nas últimas duas eleições, ter perdido contra Macron.  

Apesar da vantagem, a candidatura de Le Pen divide opiniões. Vários partidos franceses defendem que uma figura política não deve prosseguir com uma candidatura depois de uma condenação. A polarização tornou-se clara na apresentação da candidatura, em julho, quando Le Pen tanto foi recebida com aplausos e cânticos que ecoavam "Marine, presidente", como vaiada com gritos como "devolve o dinheiro" e "vai para a prisão". Le Pen insiste que está inocente e afirma-se vítima de tentativa de afastamento da corrida presidencial.  

Marine Le Pen AP Photo/Thomas Padilla

No primeiro debate presidencial, no domingo, defendeu o apoio às empresas. "O nosso país tem uma identidade económica baseada nas empresas, na Nação e no Estado. As empresas têm sofrido imenso. Os impostos excecionais não devem tornar-se permanentes; temos de travar esta loucura regulatória", declarou Le Pen.  

Apresenta propostas que vão ao encontro dos patrões, como a simplificação de normas ou transmissão das empresas, mas outras poderão suscitar reservas no setor empresarial. Quer rever a idade de acesso à reforma, ponto de divergência com os empresários. 

À semelhança do que é típico nos partidos de extrema-direita, tem uma visão rígida sobre a imigração e quer proibir o uso de véu islâmico. "Vou submeter ao povo francês, através de um referendo, uma lei importante para combater as ideologias islâmicas, incluindo uma série de medidas rigorosas, como criminalizar o uso do véu islâmico em público", escreveu no X.  

Édouard Philippe é o principal candidato do centro-direita

Édouard Philippe AP Photo/Thomas Padilla

Do centro-direita surge Édouard Philippe. Foi primeiro-ministro de Emmanuel Macron, entre 2017 e 2020, e eleito presidente da Câmara de Havre nas últimas autárquicas. Tem crescido nas sondagens, disputando o segundo lugar com Mélenchon, e está a tornar-se num potencial candidato à segunda volta. 

Terá competição de outro candidato do mesmo bloco, o antigo primeiro-ministro Gabriel Attal, que reúne 12% a 12,5% das intenções de voto. 

Entre as prioridades estão a redução do subsídio de desemprego de 18 para 12 meses para quem tem menos de 50 anos, o fim da licença médica ilimitada e a defesa do Pacto Dutreil (regime fiscal que facilita a transmissão de empresas entre familiares). Quer "colocar as contas [públicas] em ordem, permitir que as empresas criem riqueza e modernizar e desenvolver a infraestrutura do país". 

Mélenchon representa a extrema-esquerda

Jean-Luc Mélenchon AP Photo/Thomas Padilla

Mélenchon estava bem-posicionado nas sondagens e chegou a ser o candidato mais provável a disputar a segunda volta com Le Pen, mas começa a perder popularidade. Continua, ainda assim, a ser o candidato de esquerda mais bem posicionado. Lidera o partido de extrema-esquerda França Insubmissa e já concorreu quatro vezes às presidenciais, tendo de cada vez aumentado o apoio.  

A ecologia é uma das bandeiras do candidato. No comício a 7 de junho, centrou o seu discurso na transição ecológica, através do planeamento, criação de "ecorregiões" e o "ecossocialismo". O combate às alterações climáticas é um tema defendido por vários candidatos de esquerda que estão na corrida, pelo que deverá ocupar um lugar de destaque nos debates dos próximos meses.  

Tem sido alvo de várias críticas, nomeadamente em relação a provocações com conotação antissemita, posições favoráveis à Rússia e à China e ainda tendências autoritárias relativamente à imprensa e ao seu partido.  

Raphaël Glucksmann quer ser alternativa aos extremos

Raphael Glucksmann AP Photo/Thomas Padilla

Foi um dos últimos candidatos a entrar na corrida, depois de oficializar a candidatura a 23 de agosto, durante uma entrevista ao canal televisivo francês TF1. Eurodeputado e fundador do partido Place Publique, Raphaël Glucksmann quer representar uma esquerda social-democrata, pró-europeia e distinta da França Insubmissa.  

Dedicou o primeiro momento da sua candidatura à energia eólica. Quer ser o "presidente da transformação ecológica da França". Se for eleito, promete uma "revolução ecológica em 100 dias" para "libertar França do vício em gás e petróleo". Para tal, conta com o apoio de Yannick Jadot, do partido Os Verdes, que partilha do sentido de "urgência absoluta da saída do gás e do petróleo, com os esforços massivos que devem ser feitos em termos de renovação térmica de edifícios, eficiência energética e transporte elétrico". 

Glucksmann também aponta como prioridades alcançar melhores salários, taxando os "1%", ou seja, os mais ricos, e defender a escola pública. 

Numa eleição que se espera fragmentada, Glucksmann admite dar a mão a outros candidatos de esquerda, com vista ao combate à extrema-direita: "A escolha que vamos fazer em 2027 é a mais importante. Vamos oferecer o país a Marine Le Pen, à extrema-direita?" Ainda assim, a abertura ao diálogo à esquerda deixa de fora a França Insubmissa, reforçando uma posição moderada. 

Socialistas organizam primárias para escolher candidato único

O Partido Socialista francês e o Place Publique concordaram em organizar umas eleições primárias, de modo a escolher um candidato único que represente o campo do centro-esquerda. Estão marcadas para 9, 10, 16 e 17 de outubro e, de momento, cinco candidatos estão na disputa: Raphaël Glucksmann, Philippe Brun, Jérôme Guedj, Ségolène Royal e Olivier Faure. Quem vencer, terá o apoio de ambos os partidos.  

Há mais 27 candidatos

Dado o elevado número de candidatos, é provável que alguns venham a desistir pelo caminho. Ainda assim, este ponto de partida reflete a fragmentação da política francesa, sobretudo entre três blocos: a esquerda, o centro-direita e a extrema-direita. Conheça na galeria os restantes candidatos, por ordem de apresentação da candidatura. 

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François Asselineau representa a União Republicana Popular
Foto: Lionel Bonaventure/Pool Photo via AP
Xavier Bertrand representa Os Republicanos
Foto: Europa Press via AP
Nicolas Dupont-Aignan representa o partido Levantar a França
Foto: Thomas Coex, Pool via AP
François Ruffin representa o Debout!
Foto: AP Photo/Thomas Padilla
Ségolène Royal representa o Partido Socialista
Foto: AP Photo/Carolyn Kaster)
Marine Tondelier representa Os Ecologistas
Foto: AP Photo/Thomas Padilla
Delphine Batho representa a Geração Ecologia
Foto: Delphine Batho via Facebook
Nathalie Arthaud representa a Luta Operária
Foto: Lionel Bonaventure/Pool Photo via AP
Juan Brancon é advogado, ensaísta e ativista político franco-espanhol
Foto: AP Photo/Christophe Ena
Com apenas 20 anos, Manolo Mlekuz representa o movimento Trajectoire, depois de passar pelo Partido Socialista, França Insubmissa e Nova Frente Popular
Foto: Manolo Mlekuz
Jérôme Guedj representa o Partido Socialista
Foto: Jérôme Guedj via Facebook
Benoît Mathieu é candidato independente
Foto: Benoît Mathieu via Facebook
David Lisnard representa o Nouvelle Énergie
Foto: AP Photo/Thibault Camus, Pool
Lydie Massard representa o L'UDB
Foto: Lydie Massard via Facebook
Bruno Retailleau representa Os Republicanos
Foto: AP Photo/Thomas Padilla
Clara Egger representa o Hope RIC
Foto: 2027presidentielle.fr
Florian Philippot representa o The Patriots
Foto: AP Photo/Michel Euler
Benjamin Lucas-Lundy representa o Générations
Foto: Benjamin Lucas-Lundy via facebook
Gabriel Attal representa o Renascimento
Foto: AP Photo/Thomas Padilla
Anasse Kazib representa o Révolution Permanente
Foto: Anasse Kazib via Facebook
Karim Bouamrane representa o Partido Socialista
Foto: AP Photo/Michel Euler
Selma Labib representa o Novo Partido Anticapitalista
Foto: 2027presidentielle.fr
Philippe Brun representa o Partido Socialista
Foto: Philippe Brun via Facebook
Bernard Cazeneuve representa o La Convention
Foto: AP Photo/Michel Euler, File
Francis Lalanne representa o Free France
Foto: AP Photo/Christophe Ena, Pool
Olivier Faure representa o Partido Socialista
Foto: AP Photo/Thibault Camus

Em 2027, termina o segundo mandato de Emmanuel Macron. Foi eleito pela primeira vez em 2017 e reeleito em 2022, atingindo o máximo de mandatos permitidos pela constituição francesa.  

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