Sondagens apontam a Alternativa para a Alemanha (AfD) com 40% dos votos nas eleições regionais em Saxónia-Anhalt.
No próximo domingo, realizam-se as eleições regionais em Saxónia-Anhalt, no leste da Alemanha. As sondagens indicam uma vantagem para a Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla original), com cerca de 40% das intenções de voto, contra os 23% da União Democrata Cristã (CDU), atualmente no poder. Se o partido vencer, será a primeira vez que a extrema-direita alemã assume um governo regional.
Ulrich Sigmund é o líder da candidatura da AfDAP Photo/Markus Schreiber
A sondagem mais recente da Politbarometer aponta um claro avanço da AfD sobre a CDU. O partido A Esquerda (Die Linke) fica-se pelos 13%, o Parido Social-Democrata (SPD) com 9%, o Partido Democrático Livre (FDP) com 3%, os Verdes com 6% e a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) com 3%. Os restantes partidos não chegam aos 3%. A confirmar-se estes números, a AfD precisaria de um parceiro para coligação de modo a conseguir a maioria absoluta. Por outro lado, os restantes partidos poderiam alcançar mais de 50% dos votos se se juntassem todos.
Sondagem da Politbarometer indica a AfD em primeiro lugar Politbarometer
Importa lembrar, contudo, que as sondagens são meramente indicativas e refletem apenas as intenções de voto num determinado período, não garantindo que o resultado das eleições coincidirá com a estimativa. Além disso, 31% dos entrevistados responderam estar indecisos.
Com o slogan de campanha "tudo é possível", o cabeça de lista da candidatura regional da AfD, Ulrich Siegmund, de 35 anos, tem feito da imigração e da educação os principais temas da campanha. Elenca como principais prioridades a "deportação de pessoas em situação irregular e, acima de tudo, o fim dos incentivos que levam as pessoas para a Alemanha e a explorar o sistema social", segundo declarações à Associated Press (AP).
Quer ainda permitir o ensino doméstico e proibir que escolas hasteiem bandeiras da comunidade LGBTQIA+. Na política externa, o partido opõe-se ao uso de dinheiro público para apoio à Ucrânia e já afirmou que vai pressionar o levantamento das sanções contra a Rússia, embora isso não seja uma questão que compita aos governos estaduais.
"Aqui ninguém precisa de ter medo, muito pelo contrário. Todas as pessoas honestas na Saxónia-Anhalt beneficiarão de um governo liderado pela AfD", assegurou à AP o candidato.
Centro direita acusa AfD de querer "voltar ao passado"
A Saxónia-Anhalt, território com cerca de 2,1 milhões de habitantes, é governada pela CDU, de centro direita, desde 2002. O atual governador e adversário de Siegmund, Sven Schulze, acredita que a AfD quer "voltar ao passado". Em declarações à AP, o dirigente afirmou que o estado enfrentaria um "isolamento" se o partido de extrema-direita chegasse ao poder.
O centrista destacou os avanços alcançados pelo seu partido no fortalecimento da economia da região e na redução do desemprego desde a reunificação da Alemanha em 1990. A extrema-direita “não quer aqui ninguém que tenha nascido no exterior e viva e trabalhe aqui”. Com muitos imigrantes a trabalhar em hospitais e empresas, por exemplo, isso seria “um enorme problema para a Saxónia-Anhalt”, afirmou. “A AfD faz uma coisa: descreve os problemas. Mas nunca apresenta uma solução para eles.”
Descontentamento levou ao enfraquecimento da CDU
A Saxónia-Anhalt é uma região marcada pelo envelhecimento e diminuição da população, bem como pelo desemprego. Em 2025, o estado perdeu cerca de 15 mil habitantes. Em julho, a taxa de desemprego chegou aos 8,1%. Os dois fatores juntos resultam numa manutenção fragilizada de serviços públicos, como escolas, transportes e cuidados de saúde.
Também os salários permanecem entre os mais baixos do país. Em 2025, o salário médio de um trabalhador da Saxónia-Anhalt era de 3.563 euros, face aos 4.217 euros da média nacional. No mesmo ano, 21,3% dos habitantes estavam em risco de pobreza, segundo dados oficiais citados pela AP. O descontentamento, também a nível nacional com o chanceler Friedrich Merz, tem deixado espaço para o crescimento do partido de extrema-direita.
Nas últimas eleições estaduais na Saxónia-Anhalt, há cinco anos, a CDU recebeu 37,1% dos votos, a AfD 20,8%, A Esquerda 11,%, o SPD 8,4%, o FDP 6,4% e os Verdes 5,9%. Todos os outros partidos juntos receberam 10,4%.
Já nas eleições nacionais do ano passado, a AfD conseguiu o melhor resultado de sempre da extrema-direita no pós-guerra, alcançando 20,8% dos votos e tornando-se no maior partido da oposição.
Outra das vitórias da AfD foi quando Robert Sesselmann foi eleito, em 2023, chefe de administração de um condado (uma dimensão menor do que a administração estadual), na Turíngia. A Alemanha tem 16 estados, cujos governos regionais têm um poder significativo, por exemplo, na supervisão de assuntos de segurança e na gestão do sistema educativo.
A 20 de setembro, disputar-se-ão as eleições estaduais em Berlim, onde as sondagens indicam números mais renhidos. Embora apareça em terceiro lugar, a AfD fica apenas três pontos percentuais abaixo da CDU – 18% para 21%, de acordo com a Politbarometer.
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