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Quentin Tarantino e Sylvester Stallone juntos numa série que recua ao cinema dos anos 30

O realizador e o ator vão co-criar e co-realizar uma minissérie de época, filmada a preto e branco, que marca a primeira colaboração entre ambos.

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Edição de 17 a 23 de março
Quentin Tarantino e Sylvester Stallone juntos numa série que recua ao cinema dos anos 30
Tiago Neto 23 de março de 2026 às 15:51
Depois das participações pontuais no formato televisivo, Tarantino encabeça um projeto de raiz
Depois das participações pontuais no formato televisivo, Tarantino encabeça um projeto de raiz Scott A Garfitt/Invision/AP

Quentin Tarantino e Sylvester Stallone estão a desenvolver em conjunto uma nova série televisiva. O projeto, de seis episódios, é ambientado na década de 1930, com um universo que cruza gangsters, boxe, música e o brilho decadente do espetáculo. 

Segundo avança o Tarantino ficará responsável pelo argumento e dividirá a realização com Stallone, numa parceria inédita entre dois nomes que, apesar de décadas de carreira, nunca tinham trabalhado juntos. Segundo o mesmo meio, a série aposta numa estética rigorosamente fiel ao período; será filmada a preto e branco, recorrendo inclusive a câmaras da época, numa tentativa de recriar não apenas o ambiente narrativo, mas também a textura visual do cinema clássico. 

Ainda sem elenco confirmado ou plataforma anunciada, o projeto está envolto em secretismo, mas já se sabe que Stallone não deverá aparecer em frente à câmara, concentrando-se exclusivamente no trabalho de realização. A escolha reforça uma tendência recente do ator, cada vez mais interessado em consolidar o seu papel nos bastidores, depois de uma carreira marcada por figuras icónicas como Rocky Balboa ou .

Para Tarantino, esta incursão representa também um movimento significativo. Embora já tenha realizado episódios pontuais de televisão, esta será a sua primeira série concebida de raiz, um formato que lhe permite explorar narrativas mais longas e fragmentadas, algo que o cineasta tem vindo a admitir como terreno de interesse nos últimos anos.

A colaboração ganha ainda maior relevo à luz do passado. Stallone chegou a recusar, por duas vezes, convites de Tarantino para integrar filmes seus, incluindo papéis que acabariam por ser interpretados por Robert De Niro e Kurt Russell. O novo projeto surge, assim, como um reencontro tardio entre duas filmografias que sempre dialogaram de forma indireta, entre a violência estilizada de Tarantino e o imaginário físico de Stallone.

Nos últimos anos, Tarantino tem-se afastado progressivamente do modelo clássico de produção cinematográfica. Depois de abandonar o projeto The Movie Critic, que seria anunciado como o seu décimo e último filme, o realizador tem privilegiado outros formatos, que incluem projetos para palco e televisão. A série com "Sly" Stallone surge nesse contexto de transição.

Ao mesmo tempo, a escolha de um universo de gangsters e espetáculo não é inocente. Trata-se de um território onde Tarantino regressa a temas que lhe são comuns como a violência coreografada, a mitologia americana e o diálogo com géneros clássicos.

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