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Cinema, música e muita literatura: o que não perder na Feira do Livro de Lisboa

Entre 27 de maio e 14 de junho, o Parque Eduardo VII acolhe a 96.ª edição da Feira do Livro que este ano se apresenta com novos argumentos.

Renata Lima Lobo 25 de maio de 2026 às 15:34
A Feira do Livro de Lisboa regressa com mais de 2.000 eventos no programa Miguel A. Lopes/Lusa

Ao longo de 19 dias, a volta a ocupar o Parque Eduardo VII para celebrar a literatura. Um evento que ao longo da sua história vai acrescentando capítulos à sua programação, que este ano conta com mais de 2.200 eventos. A Feira abre esta quarta-feira.

Cine Sábado

Os livros são matéria bastante apetecível para a indústria do cinema e a sua adaptação é sempre motivo de debate: “Preferiste o livro ou o filme?” é a pergunta em cima da mesa nas conversas entre bibliófilos e cinéfilos. A grande novidade é que este ano, a Feira do Livro vai ter cinema, em parceria com a iniciativa Cine Society, conhecida por transformar espaços ao ar livre em salas de cinema. Aos sábados à noite, pelas 21h30, os visitantes são convidados a sentarem-se no relvado, numa iniciativa batizada de Cine Sábado, e assistir a três filmes do catálogo da Cine Society: O Clube dos Poetas Mortos (1989), de Peter Weir, um argumento original, mas desenhado em torno da poesia; Parque Jurássico (1993), de Steven Spielberg, a partir do livro homónimo de Michael Crichton; e Orgulho e Preconceito (2005), de Joe Wright, uma das muitas adaptações ao grande ecrã da obra de Jane Austen.

O Clube dos Poetas Mortos Touchstone Pictures

Sessões de autógrafos

Uma das atividades principais da Feira do Livro passa por comprar uma obra (ou várias) e ter acesso direto aos autores que marcam presença em inúmeras sessões de autógrafos, dos novatos aos mais consagrados e de todos os géneros literários. A lista é bastante generosa, mas inclui nomes como José Luís Peixoto, que acaba de publicar o romance A Montanha; ou Miguel Sousa Tavares, que apesar de não ter um livro editado recentemente, estará à disposição para quem ainda não tem obras suas autografadas.

Destaque ainda para Lídia Jorge, que em dezembro se tornou a primeira romancista a receber o e que em abril lançou O Céu Cairá Sobre Nós, livro que inclui uma seleção de crónicas que publicou no jornal El País, assim como o discurso que proferiu em Lagos, a 10 de Junho de 2025, aquando das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Afonso Reis Cabral, Gonçalo Cadilhe, Luísa Ducla Soares ou Francisco Moita Flores também integram a lista de autores nacionais presentes. A literatura lusófona guarda ainda espaço para o escritor angolano José Eduardo Agualusa, que leva consigo o seu último romance Tudo Sobre Deus.

Lídia Jorge recebe mais um galardão Vasco Célio

No campo internacional, os fãs de thrillers psicológicos vão fazer fila para os autógrafos da britânica Samantha Hayes, ex-detetive com vários bestsellers no portfólio - que em maio publicou A Herança. Entre os representantes da banda-desenhada, estará de caneta em riste o francês Amazing Ameziane, ilustrador que costuma fazer incursões pelo universo biográfico e que depois de Quentin por Tarantino apresenta Spielberg, uma incursão em texto e imagem pela vida do realizador norte-americano.

Workshops

A programação de workshops tem uma grande diversidade de propostas, que vão da criação artística à descoberta de processos editoriais, com atividades para vários públicos ao longo do evento.

Por exemplo, é possível aprender a fazer marcadores de livros seguindo três processos bem diferentes. O primeiro acontece a 4 de junho no pavilhão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), onde as costureiras do Centro de Desenvolvimento Comunitário da Ameixoeira vão ensinar a criar marcadores em tecido, convidando à participação nas estações de estampagem. A dimensão artesanal também se estende ao workshop da Orfeu Negro com a oficina Quadratim Letterpress, marcado para 13 de junho em torno da impressão de marcadores em prensas centenárias. Mais contemporâneo é o da FabLab Lisboa, que no Espaço Bibliotecas de Lisboa vai desafiar os participantes a criar um marcador em madeira fina, cortada com a ajuda de processos digitais.

No dia 30 de maio, o Grupo Saída de Emergência promove o workshop “Como nasce um livro: da ideia à publicação”, com as escritoras Rosa Silva (autora de A Rapariga Ansiosa) e Andreia Ramos (Amor & Outras Mentiras); e no mesmo dia o Centro Português de Serigrafia dinamiza uma oficina infantil de serigrafia, onde os mais novos não só podem experimentar a impressão, como levar o resultado para casa.

A 2 e 9 de junho, a Livraria Lisboa Cultura propõe “Vamos fazer um livro?”, orientado por Marco Taylor a partir do seu livro que ensina uma encadernação simples. A 10 de junho, o programa inclui um workshop de fantoches de papel pela Retir'Arte, dinamizado pela The Poets and Dragons Society, numa abordagem mais lúdica e criativa.

Sextas Há Música

São mais de duas dezenas os momentos musicais que vão pontuar a programação da Feira do Livro. Em destaque estão os concertos de sexta-feira, num programa chamado de Sextas à Música que conta com ÉME (29 maio), de emmy Curl (5 junho) e Gabriel Gomes (12 junho).

emmy Curl é uma das cabeças do cartaz musical da Feira do Livro RTP

À margem destes destaques, o cartaz musical terá outras notas. A música jazz ficará a cargo do João Ribeiro Trio (29 maio) e de Desidério Lázaro (5 junho), numa programação que inclui coros e projetos sociais como os The Ziguais (27 maio), o Coro LGBTI+ “O Colegas” (30 maio), o Coro Alarido (31 maio) ou a Orquestra Geração (2 junho), o Grupo de Cantares de Cortes (5 junho) ou o Projeto MAR&ILHA (13 junho).

Hora H

Todos os anos, há uma hora onde quase tudo fica ainda mais barato: a última hora da feira de cada dia. Chama-se a Hora H e durante esse intervalo de tempo os expositores fazem uma seleção de títulos com descontos mínimos de 50%. Decorre de segunda a quinta-feira, entre as 21h00 e as 22h00, com exceção dos dias 27 e 28 de maio e dos feriados de 4 e 10 de junho. Já nas vésperas de feriado, a Hora H acontece entre as 22h00 e as 23h00.

Horário da feira

O horário não é fixo e convém tomar nota. De segunda a quinta-feira a Feira do Livro está aberta entre as 12h00 e as 22h00, ficando aberta até às 23h00 às sextas e vésperas de feriado. Aos sábados a feira abre mais cedo, pelas 10h00, prolongando-se até às 23h00, enquanto aos domingos o horário de abertura é o mesmo, embora o encerramento esteja marcado para as 22h00.

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