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Uma série para ver esta semana: "The Deuce"

Uma viagem crua mas humana ao submundo de Times Square, Nova Iorque, quando o sexo, o poder e o dinheiro começaram a moldar uma nova indústria. Para ver na HBO.

Tiago Neto 23 de fevereiro de 2026 às 17:00
Série da Semana - episódio 21
Disponível em Portugal na HBO Max, The Deuce transporta-nos para a Nova Iorque dos anos 1970, muito antes das luzes turísticas e dos ecrãs gigantes, quando Times Square era um território ambíguo, habitado por bares decadentes, prostituição de rua e economias paralelas que sobreviviam na sombra. A série acompanha o nascimento da indústria pornográfica norte-americana e a forma como a sua gradual legalização transformou aquele ecossistema marginal num negócio multimilionário. Criada por David Simon e George Pelecanos - a dupla responsável por The Wire -, assume na narrativa um olhar quase sociológico sobre essa mutação urbana, cruzando crime, política, polícia e capitalismo com as histórias íntimas de quem vivia daquele mercado informal. Mais do que contar a ascensão de um género cinematográfico, a série observa como a cidade, a moral pública e o dinheiro se reorganizam quando aquilo que era clandestino começa a entrar na luz.
No centro estão Vincent e Frankie Martino (ambos interpretados por James Franco), pequenos operadores noturnos que se veem enredados nas oportunidades e perigos desse novo negócio, enquanto Maggie Gyllenhaal dá vida a Candy, uma trabalhadora do sexo que procura reinventar-se e ganhar autonomia dentro da própria indústria. À volta deles gravita um vasto mosaico de personagens: proxenetas, polícias, empresários, realizadores improvisados, compondo um retrato coral daquele momento histórico. Exibida entre 2017 e 2019 ao longo de três temporadas, a série constrói uma crónica sobre a relação entre liberdade e exploração, desejo e mercado, mostrando como uma transformação cultural nasce de forças económicas e humanas contraditórias. Sem romantizar o passado, The Deuce prefere observá-lo com detalhe quase documental, revelando como as esquinas esquecidas de Manhattan ajudaram a redefinir a forma como a sociedade olha para o sexo e para a própria ideia de espetáculo.
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