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Rae, Sabrina, McRae: foi você que pediu novas princesas da pop?

Sabrina Carpenter, Tate McRae e Addison Rae estão a construir carreiras de sucesso, inspirando-se em Britney Spears e na estética cintilante da década de 2000. A pop da Gen-Z também passa por elas.

Mariana Taborda com Gonçalo Correia 17 de janeiro de 2026 às 08:00
Rae, Sabrina e McRae são princesas pop que inspiram a Gen-Z DR
Dizem que a imitação é a forma mais sincera de elogio. Desde a estreia de Baby One More Time em 1998 que a cantora norte-americana Britney Spears redefiniu o que significa ser uma superestrela - o que acontece ciclicamente, uma e outra vez, na música pop. Hoje em dia, artistas como Sabrina Carpenter, Addison Rae e Tate McRae, que cresceram com a música de Britney, prestam sucessivas homenagens à “Princesa do Pop” em atuações ao vivo e nas escolhas de guarda-roupa, dando azo à seguinte questão: será possível preencher o vazio que Spears (que não edita um disco há dez anos) deixou?  “Ninguém se pode comparar à Britney Spears.”, esclareceu já Tate McRae numa entrevista para The Independent UK, “é como tentar comparar alguém ao Michael Jackson: eles são o ponto de referência”.  Tate McRae, de 22 anos, subiu à primeira divisão da pop em 2023, com o lançamento do segundo álbum de estúdio, THINK LATER, em que transitava de um estilo synth-pop de lançamentos anteriores para incursões na pop eletrónica. A isso, juntou coreografias mais elaboradas na performance ao vivo, citando Britney como uma das maiores fontes de inspiração:  “Sempre sonhei em conseguir dançar e cantar em palco como a Britney Spears. E quero concretizar isso, dançar com imensos bailarinos e criar um enorme espetáculo”, explicou Tate McRae em entrevista à revista Hunger.   Tate começou a ter aulas aos seis anos, dançou num dos espetáculos de uma digressão do cantor Justin Bieber em 2016 e nesse mesmo ano, com 13 anos de idade, participou na 13ª edição norte-americana do concurso Achas que Sabes Dançar, terminando em 3º lugar.  
Charles Sykes/Invision/AP
Após ganhar fama através de versões e músicas originais lançadas no YouTube, Tate McRae assinou um contrato com a editora discográfica RCA Records em 2019 e lançou dois EP (mini-álbuns), um dos quais incluía o êxito You Broke Me First, canção que já acumula hoje quase dois mil milhões de reproduções só na plataforma de streaming Spotify.
Desde então McRae já lançou três álbuns de estúdio - i used to think i could fly (2022), Think Later (2023) e mais recentemente So Close To What (2025) - e contribuiu para a banda sonora do filme F1, com a canção Just Keep Watching, nomeada para o Grammy de Melhor Gravação Dance Pop.   Tate McRae não é a única descendente indireta de Britney nomeada para a próxima edição dos prémios Grammy. A cantora norte-americana de 26 anos Sabrina Carpenter destaca-se com seis nomeações, incluindo para a categoria Álbum do Ano, em que está em concurso graças ao álbum Man's Best Friend (2025).
Amy Harris/Invision/AP
À semelhança de Britney Spears, que começou a carreira no programa Mickey Mouse Club da Disney, Sabrina Carpenter tornou-se conhecida do público através da televisão, ao interpretar Maya Hart na série do canal Disney Channel Riley e o Mundo (2014-2017). Com apenas 14 anos, assinou um contrato em que se comprometia a gravar cinco álbuns para a discográfica Hollywood Records da Disney. Nenhum dos discos, porém, obteve grande sucesso. Em 2021, Sabrina Carpenter assinou contrato com a gravadora Island Records, logrando aí um ponto de viragem na carreiar. No ano seguinte, lançou o álbum Emails I Can’t Send, que incluía canções como SkinNonsenseFeather e Because I Liked a Boy.  
Com o auxílio dos produtores Ian Kirkpatrick (com quem Britney Spears trabalhou no nono álbum Glory) e Jack Antonoff (responsável pela produção de álbuns das cantoras Lana Del Rey e Taylor Swift), Sabrina reinventou a visão artística com o sexto álbum que lançou, Short N’Sweet (2024), incorporando referências sexuais mais explícitas nas letras das suas canções e usando silhuetas mais ousadas.   A mudança não deixou o público indiferente. Em 2024, numa entrevista para a revista Time, Sabrina alegou ser alvo do mesmo tipo de críticas que Britney Spears e Christina Aguilera sofriam na década de 2000: “Ainda existe uma mãe ou outra com opiniões muito fortes sobre como me deveria vestir. É uma pena que seja algo criticado porque a coisa mais assustadora do mundo é subir ao palco diante de imensas pessoas e ter de atuar como se não fosse nada. Se vestir algo em que te sintas confortável ajuda, é o que tem de ser feito.”
 Em 2025, Sabrina Carpenter ganhou um Grammy de Melhor Álbum Pop com Short N’Sweet, tendo também sido distinguida com o prémio de Melhor Artista Pop nos MTV Video Music Awards. Nessa mesma noite, subiu ao palco para cantar a música Tears, o segundo single revelado do álbum mais recente da cantora, o já referido Man’s Best Friend (2025).    No último minuto da atuação, Sabrina surgiu de uma cabine telefónica após uma mudança de guarda-roupa, trocando o vestido curto com mangas boca de sino por um sutiã com strass (conjunto de materiais que imitam diamante) e declarando uma “pausa para dançar” enquanto chovia por cima do palco, à semelhança de uma atuação de Britney Spears em 2002, que então interpretava a canção ...Baby One More Time na digressão Dream Within' a Dream.
Sabrina Carpenter atua com outros artistas num palco perante uma multidão Charles Sykes/Invision/AP
  Não foi a primeira vez que Sabrina Carpenter aproveitou o palco dos prémios da MTV para prestar homenagem a Britney Spears: no ano anterior, em 2024, Sabrina utilizou excertos do videoclip de Oops... I Did It Again durante a interpretação de um medley (conjunto de temas encurtados e agregados numa atuação) e até Britney Spears o comentou na rede social Instagram: “Esta miúda, a Sabrina... ela disse o meu nome no tapete vermelho, coisa que até achei fixe. Às vezes esqueço-me que sou famosa porque sou mãe, sou velha... blah blah blah. E achei fixe.”  Tate McRae também prestou homenagem a Britney Spears nos Video Music Awards de 2024 ao usar um vestido de renda idêntico ao que a “Princesa do Pop” vestiu nos VMAs de 2001 e mais tarde, em dezembro de 2025, foi capa da revista Rolling Stone e utilizou uma palete de cores semelhante a um trabalho da revista em abril de 1999: precisamente a primeira capa de Britney Spears na Rolling Stone.   As influências de Britney Spears também se refletem no primeiro álbum de estúdio Addison (2025), da cantora Addison Rae. A jovem de 25 anos, nascida no estado do Louisiana, admitiu um profundo fascínio por Britney e disse rever-se na estrela pop, que também cresceu no mesmo estado: “Gostar de Britney Spears é um grande aspeto na minha vida. Adoro uma rapariga que consiga fazer de tudo, sem filtros”, chegou a dizer em entrevista à revista Interview.  
Addison Rae busca inspiração em Britney Spears e na década de 2000 Evan Agostini/Invision/AP
 A ascensão de Addison Rae é produto da época em que se insere, ganhando notoriedade com pequenas coreografias publicadas na rede social TikTok em 2019, tornando-se uma das criadoras de conteúdo mais populares da plataforma, onde tem 88 milhões de seguidores.   Entre 2019 e 2023, Addison Rae explorou várias vertentes da indústria do entretenimento, protagonizando os filmes Ele é Demais (reimaginação do filme Ela é Demais de 1999) e Feriado Sangrento, enquanto compunha as canções do seu primeiro EP (mini-álbum). Em 2025, após o lançamento de cinco singles, Addison Rae lançou o álbum de estreia Addison, produzido por Elvira Anderfjärd e Luka Kloser, associadas ao coletivo artístico MXM and Wolf Cousins, fundado por Max Martin, produtor que trabalhou com Taylor Swift e Britney Spears.  
A revista NME elogiou o álbum, descrevendo, Addison como uma obra “audaz, expressiva, contagiante como tudo e abertamente autobiográfica, com uma conceção altamente pessoal”. O jornal britânico The Independent também deixou elogios ao álbum, considerando-o o ponto de partida de “uma artista que sabe exatamente o que está a fazer”.   Quando Addison Rae começou a trabalhar no álbum de estreia, ao invés de apresentar demos (primeiros esboços) de canções, apresentou à equipa que com ela trabalho uma colagem de imagens, optando pelo estímulo visual para criar um retrato fidedigno à sonoridade que tinha em mente. Esta abordagem culminou num disco nostálgico, influenciado pelos sons e métodos de produção das décadas 1990 e 2000.    A influência de Britney Spears verifica-se na forma de cantar de Addison Rae, que também explora os sussurros vocais que distinguiam a cantora de Baby One More Time. Porém, a semelhança não é exclusivamente fonética: no videoclip da canção High Fashion é possível ver um frasco de Fantasy, um dos perfumes de Britney Spears, como adereço e as cores saturadas da capa de Addison remetem para a capa do terceiro álbum de estúdio homónimo de Britney. 
Em palco, de acordo com o jornal The Guardian, Addison Rae tem mostrado saber criar uma atmosfera de fantasia delirante sem estribeiras, transformando uma cantora com aptidão vocal limitada numa performer muito eficiente - críticas semelhantes às que Britney Spears teve no auge da carreira.  Britney Spears, que se afastou dos palcos em 2018, admitiu numa publicação para o Instagram que nunca mais voltará a atuar nos Estados Unidos. Porém, admitiu a possibilidade de voltar a atuar na Austrália e no Reino Unido, na companhia do filho mais novo, Jayden Federline, provando que não existe um lugar vazio no trono da “Princesa do Pop”, mas um assento largo o suficiente para várias estrelas se sentarem.  
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