Entrevista

Bérénice Levet: “O pudor das feministas é insuportável”

Bérénice Levet: “O pudor das feministas é insuportável”
Vanda Marques 05 de abril
Biografia Nome:

Bérénice Levet

Cargo:

Filósofa e ensaísta

Nascimento:

50 anos

Nacionalidade:

Francesa

Estamos perante uma guerra de sexos, em que as mulheres são as vítimas indefesas. Mas a filósofa discorda deste novo feminismo que está a “destruir a confiança dos homens e das mulheres”.

A pressão do politicamente correto vai acabar com o prazer de olhar para o sexo oposto e pôr fim ao galanteio entre géneros. Mas esta tirania vai traumatizar gerações futuras, defende Bérénice Levet, ensaísta e filósofa. A autora francesa não tem dúvidas quanto às consequências do novo feminismo. Os movimentos MeToo transformaram as mulheres em vítimas indefesas, quase saídas dos contos de fadas, defende. No seu livro Libertem-nos do Feminismo!, editado pela Gradiva, faz uma análise acutilante e provocatória em que recusa ser engavetada no papel de vítima.

Porque escreveu este livro?
Estava muito impaciente com a unanimidade à volta do movimento #MeToo. A atriz americana Alyssa Milano escreveu: "Se todas as mulheres vítimas de assédio ou agressão sexual escreverem ‘me too’ [‘eu também’], talvez se ganhe consciência da dimensão do problema." Um hashtag e as redes sociais inflamam-se. Impôs-se uma visão de pesadelo da condição das mulheres no séc. XXI e os homens encontraram-se no estatuto de dominador, de predador sexual face às mulheres que passaram a ser vítimas.

Os media dão a palavra àquelas que lhes são apresentadas como vítimas, e cria-se um tribunal perante o qual os homens comparecem, sem possibilidade de se defenderem, privados de legitimidade. E rapidamente também toda a sociedade, a sua estrutura e a sua moral, porque o mundo inteiro foi cúmplice. E, graças às redes sociais, forma-se um movimento internacional de mulheres ensurdecedoras, intimidantes, perante as quais o mundo se curva. Não nego a realidade das agressões sexuais, mas não têm a magnitude que a atriz lhes atribui. Só que quando o mundo real se resume às redes sociais é fácil ficarmos com essa sensação.

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