Portugueses sem casa fixa, patrões ou horários

Raquel Lito , André Rito 20 de agosto de 2016

Não têm casa fixa, patrões ou horários. São profissionais altamente qualificados a quem basta um computador com Internet para cumprir o sonho; serem livres

O despertador tocou às cinco da manhã. Quase sete horas depois, Luís Reis Costa, 38 anos, já tinha reunido – via Skype – com um cliente em Hong Kong, trocado vários emails, e voltado a ligar a câmara para outra sessão de vídeo-conferência. Quando atendeu o telefone para falar à SÁBADO, o engenheiro do ambiente estava encostado ao carro a medir as ondas que entram na Praia de Ofir, em Viana do Castelo. O dia de trabalho tinha terminado e era hora de viver o sonho que começou há seis anos, quando deixou um emprego bem remunerado em Espanha e partiu para uma volta ao mundo solitária. Tão cedo não voltaria a Portugal.

No dia em que decidiu partir, Luís até tinha uma vida tranquila: estava em Barcelona há seis anos, ocupava um cargo de topo numa multinacional que produzia peças para a Mercedes, tinha casa arrendada no centro da capital catalã, uma namorada italiana e dois bulldogs franceses. Mas mudou radicalmente de vida: despediu-se do emprego, terminou a relação, entregou um dos cães à mãe, e partiu sem planos.

"Hoje estivemos a discutir critérios de aceitação de defeitos de injecção e a acertar a percentagem de fibra de vidro no plástico", explica o agora director de qualidade de uma empresa que produz peças para os interiores de aviões comerciais. Embora sediado em Hong Kong, Luís passa muito do seu tempo a viajar, longe do escritório que ocupou há pouco mais de dois meses, quando foi contratado. Parte considerável do trabalho é feito à distância, por email, Skype e telefone.

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