É com elevada expectativa que a associação empresarial Portugal-India Business Hub olha para o acordo comercial agora firmado entre a UE e a Índia. Em entrevista ao Negócios, o presidente Altino Álvares diz que "quase todos os setores de Portugal" podem beneficiar e que a relação histórica entre os dois países pode ser um trunfo.
PIBHub: "Portugal pode servir como uma plataforma no Atlântico para a Índia"NOW
Altino Álvares, presidente do PIBHub, considera que os benefícios serão transversais a todo o bloco europeu, mas que Portugal pode ter um papel especial. "Vejo Portugal num ponto estratégico para a Europa. Apesar de estar no ponto oposto no sentido da Índia, se nos lembrarmos que, há 500 anos, Portugal tinha Goa como seu entreposto comercial no Índico, em que até Macau estava gerido por Goa, hoje, olhando para a União Europeia, a Índia pode ver Portugal, através do Atlântico, num ponto no Atlântico comercial. Daqui tem uma 'gateway' para a Europa, África e para a América do Sul", disse, em entrevista no programa do Negócios no canal NOW.
O empresário lembra que ainda que os dois países tenham tido um período de maior afastamento após a anexação de Goa, têm hoje relações diplomáticas e culturais "muito boas". "Ainda ontem celebrámos o Dia da Índia com casa cheia. Percebe-se que há um interesse maior, mas tem que haver uma explicação, tem que haver conferências a explicar os mercados, tanto de um lado como do outro. Do lado da Índia também se desconhece o potencial de Portugal e da lusofonia", explica.
Álvares salienta que é preciso olhar além de Goa e pôr os olhos também em Bombaim - território que chegou a ser administrado pelos portugueses, antes de passar para o domínio britânico. "Os empresários, quando se fala de Portugal, sabem que há uma história que liga Bombaim a Portugal. Porque é que eu estou a referir o Bombaim? É o centro económico da Índia, um dos principais, e acho que Portugal pode tirar partido dessa relação", comentou.
A PIBHub, que conta com 50 associados registados e uma rede de mais de 200 empresários, descreve um interesse transversal dos empresários com quem contacta: "Quem quer fazer exportações olha para o mercado indiano e olha para o mercado indiano como um continente. São vários estados, várias dinâmicas e há espaço para muitos, eu diria quase todos os setores de Portugal".
No entanto, Altino Álvares lembra que é preciso aproveitar o tempo que levará até a parceria entrar em vigor para a promover. "Temos de dar um sinal também no país politicamente", e depois trabalhar como as empresas para que possam adaptar-se "a este mercado novo, que tem desafios culturais, tem desafios estratégicos". "Se todos nos prepararmos, conseguimos tirar partido", afirma.
PIBHub: "Portugal pode servir como uma plataforma no Atlântico para a Índia"
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