O centro comercial das obras de arte

Joana Carvalho Fernandes 06 de agosto de 2015

A loja P55 abriu em 2012 e já recebeu obras de Picasso e Dalí. Descobriu um inédito de José Malhoa e tem um Jawlensky que vale 1 milhão de euros. A 17 de Outubro vai leiloar a primeira peça de Andy Warhol em Portugal

Pelo menos uma vez por mês alguém fica a odiar Aníbal Pinto Faria – o presidente da loja de arte P55 dá com frequência más notícias aos clientes. Já teve de dizer a um recém-divorciado que contava vender duas obras por 50 mil euros que, afinal, tinha investido em imitações. "A desilusão faz parte do negócio", diz à SÁBADO o responsável, de 30 anos. Mas não acontece só ao cliente. "Recebemos por correio, de Londres, três obras de Picasso. Achei estranha a forma de envio, mas fiquei esperançado. Seriam os nossos primeiros." Não foram. Eram falsos. E este não foi um episódio isolado – quase todos os dias alguém tenta enganá-los.

Nesse ponto, a startup de produtos de luxo em segunda mão criada em 2012 não é diferente de outros negócios de arte: a autenticidade é o primeiro pressuposto. Mas depois, a P55 (P de Portugal, Porto e peça; 55 é a data de nascimento dos pais do empresário) vai além do que é costume na área. É três em um: loja de decoração, galeria de arte e leiloeira.

Apesar de só valerem 35% da facturação, os leilões são os momentos de maior visibilidade da marca. Já envolveram obras de Júlio Resende, Sonia Delaunay, Miró, Dalí, Paula Rego e Joana Vasconcelos. O leilão de 17 Outubro deste ano será especial. Haverá uma estreia: nunca se vendeu uma obra de Andy Warhol em Portugal. A parada começa nos 170 mil euros. O auto-retrato do pintor norte-americano chegou a 22 de Abril. O proprietário entregou-o em mão e sem aviso, embrulhado numa manta e dentro de um saco (aconteceu o mesmo com o primeiro Picasso – esse verdadeiro). O processo de certificação durou mais de dois meses. Depois, o quadro foi exposto na galeria. Ficará ali durante todo o Verão – para satisfazer admiradores e, claro, seduzir compradores.

10 milhões de euros num ano
O modelo de negócio é simples: as peças ficam à consignação e a comissão pela venda começa nos 14%. A negociação faz-se pessoalmente e o resultado é muito variável – diminui à medida que o interesse da empresa na peça aumenta. Um dos fornecedores mais duros fez a margem cair para metade. "Tinha muita coisa para vender, prata, porcelana, mobiliário, e pintura fabulosa, de Almada Negreiros a Peter Klassen", recorda Aníbal Pinto Faria.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Investigação
Opinião Ver mais