Diretor-geral editorial da Medialivre defende que tendo o repórter uma "câmara, iluminador ligado e capacete com a palavra 'Press'", seria "difícil acreditar que quem lhe bateu não soubesse em quem estava a bater".
O Correio da Manhã, do grupo Medialivre (empresa que detém a SÁBADO), vai apresentar uma queixa-crime na sequência da agressão ao seu repórter de imagem Marc Ricardo Silva por um agente da PSP, enquanto trabalhava na cobertura da acampada do passado domingo no Porto.
Carga policial no RossioMartim Leitão
"Dei instruções aos advogados do Correio da Manhã para apresentarem queixa-crime pela agressão ao nosso repórter de imagem Marc Ricardo Silva, atingido à bastonada por um agente da PSP na madrugada de domingo, na Praça D. João I, no Porto", avança o diretor-geral editorial da Medialivre, Carlos Rodrigues, num artigo de opinião publicado hoje no jornal Correio da Manhã.
"Darei também conhecimento formal do caso à Direção Nacional da PSP e ao ministro da Administração Interna", acrescenta.
Salientando que "o Marc estava a trabalhar", tendo "câmara, iluminador ligado e capacete com a palavra 'Press'", Carlos Rodrigues diz ser "difícil acreditar que quem lhe bateu não soubesse em quem estava a bater".
Ressalvando não estar "em causa o dever da polícia de repor a legalidade", já que "ocupar praças durante semanas tem limites, e houve agentes feridos", o diretor do Correio da Manhã argumenta, contudo, que "a força só é legítima quando é proporcional, e agredir quem documenta uma operação policial não é apenas desproporção", mas "uma tentativa de impedir que o país veja o que se passa".
Carlos Rodrigues recorda que "há três semanas que as cargas se repetem, os feridos se contam às dezenas e as versões não coincidem", e defende que, tendo o ministro da Administração Interna assumido "a responsabilidade política", importa agora "que a exerça: exigindo que o agente seja identificado e que a IGAI vá até ao fim".
"Um jornalista agredido não é um incidente. É um sintoma de uma doença muito grave que crescentemente nos afeta. E a nossa resposta será sempre a mesma: continuaremos a estar onde as coisas acontecem, a filmar e a relatar o que vemos. Nesta casa, a liberdade de imprensa não se negoceia", remata.
No domingo, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) anunciou também que vai formalizar uma queixa na Provedoria de Justiça contra a PSP e pedir responsabilidades pela agressão e intimidação de jornalistas que cobriam os protestos da habitação nas acampadas no Porto e Lisboa.
Para o SJ, "estas agressões não podem ficar impunes", impondo-se "um inquérito à atuação policial e espera que os polícias agressores sejam responsabilizados".
Na madrugada de domingo, a PSP dispersou as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, retirando cerca de 100 tendas. A intervenção culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.
No Porto, a intervenção da PSP acabou com sete detidos.
Nos acampamentos, que começaram a 10 de outubro no Porto, os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
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