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Alemanha: trabalhadores da Volkswagen em greve contra corte de empregos e salários

Débora Calheiros Lourenço
Débora Calheiros Lourenço 02 de dezembro de 2024 às 10:24
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A empresa pretende fechar pelo menos três fábricas, despedir trabalhadores e cortar salários em 10%.

Trabalhadores das fábricas da Volkswagen na Alemanha entraram em greve esta segunda-feira contra os planos para despedir milhares de pessoas, cortar salários e fechar fábricas pela primeira vez no seu país de origem.

REUTERS/Fabian Bimmer

A greve vai durar algumas horas e vai ser feita em todas as fábricas do país. Thorsten Gröger, representante do sindicato IG Metall, referiu que, "se for necessário, esta será a batalha de negociação coletiva mais difícil que a Volkswagen já viu" referindo ainda que "a Volkswagen ateou fogo sobre os acordos coletivos".

A empresa pretende fechar pelo menos três fábricas, o que significa que vão existir os primeiros encerramentos na Alemanha nos 87 anos de história da empresa, demitir trabalhadores e cortar salários em 10%.

O grupo VW, que também inclui a Audi e Porsche, é o maior empregador da Alemanha, com quase trezentos mil funcionários, cerca de 120 mil estão inseridos num acordo de negociação coletiva com sindicatos. No domingo, a VW disse que respeitava o direito dos funcionários de participar na greve, mas que tentou implementar medidas para minimizar o impacto da mesma.

O sector de manufaturas de alta tecnologia na Alemanha está a passar por uma grave crise, sobretudo no que toca às fábricas de automóveis. A VW afirmou que o custo alto para a produção de motores elétricos, a diminuição das vendas e a competição chinesa são as principais causas para a necessidade de diminuir os custos. Em resposta, o sindicato e o conselho de trabalhadores apresentaram um plano que acreditam que pode poupar 1,5 mil milhões de euros sem que sejam encerradas fábricas. O plano incluiu abdicarem de bónus e de futuros aumentos salariais em troca de horários laborais mais curtos.

A VW considerou que as medidas teriam um impacto a curto prazo, mas que não levariam a "nenhum alívio financeiro a longo prazo para a empresa". Uma resposta que a IG Metall considerou "extremamente lamentável", acusando a empresa de "ignorar as propostas construtivas dos representantes dos funcionários".

A crise na principal fábrica de automóveis da Europa vai influenciar a indústria em todo o continente, incluindo a Autoeropa, em Portugal, que emprega mais de cinco mil trabalhadores. Na semana passada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que vai liderar o "diálogo estratégico" sobre o futuro da indústria automobilística europeia.

As empresas têm referido que estão a ter muitas dificuldades em financiar os investimentos para construírem mais veículos elétricos, enquanto os produtores chineses são acusados pela União Europeia de receberem subsídios estatais "injustos" para aumentarem a sua participação no mercado.

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