A corredora de fundo à frente da TAP

A corredora de fundo à frente da TAP
Bruno Faria Lopes 11 de junho

É descrita como direta, terra-a-terra e cumpridora daquilo que promete. A primeira mulher a liderar a TAP - adepta de fitness e de maratonas - já presidiu a companhias aéreas, mas enfrenta agora o seu maior desafio. A sua passagem pela fracassada Flybe está a dar falatório a TAP.

Quando em 2018 os 30 membros do conselho de governadores da influente International Air Transport Association (IATA) se juntaram para uma fotografia, alguém se destacou no mar de fatos escuros e de gravatas – na fila de trás, à direita, estava a única mulher no conselho de topo do organismo que ajuda a definir as políticas de aviação. Christine Ourmières-Widener fora confirmada horas antes como a primeira mulher naquele conselho. Entrara a título provisório, em substituição de Fernando Pinto, de saída da TAP – a companhia onde a gestora francesa se prepara para ser a primeira mulher presidente executiva.

O seu nome, noticiado pelo jornal digital ECO, não foi ainda oficializado – a SÁBADO confirmou junto de fontes seniores da TAP que a gestora de 56 anos será a próxima líder. Ourmières-Widener não foi a primeira, nem a segunda escolha. O pacote remuneratório menos atrativo – abaixo dos 45 mil euros brutos mensais e dos 14 mil para despesas do anterior presidente Antonoaldo Neves –, o atraso em Bruxelas na aprovação do plano de reestruturação da TAP e o facto de a equipa de administradores estar escolhida dificultaram a contratação de um executivo de topo no mercado internacional.

Ourmières-Widener encaixa, contudo, no perfil procurado. Traz 23 anos de experiência na aviação e é engenheira de formação que começou pela parte técnica do negócio – a unidade de manutenção do antigo avião supersónico Concorde – e que evoluiu para a vertente comercial até chegar ao cimo. Geriu durante um período curto a unidade norte-americana da gigante Air France/KLM e começou depois a presidir a companhias de aviação: primeiro a pequena e deficitária irlandesa CityJet, comprada pela Air France; depois, a britânica Flybe, a maior operadora regional da Europa. A TAP – que antes da pandemia transportava quase o dobro dos passageiros da Flybe – será um desafio maior.

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