Irão: Preço do petróleo sobe e ações asiáticas caem após nova ameaça de Trump
Donald Trump anunciou num discurso ao país que as forças norte-americanas vão atacar com "muita força" o Irão nas próximas duas a três semanas.
O preço do petróleo subiu mais de 4% e as bolsas asiáticas caíram, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter prometido atacar o Irão com "muita força" nas próximas duas a três semanas.
O petróleo Brent, referência internacional, saltou 5%, para 106,22 dólares (92,07 euros) por barril. O crude de referência dos EUA subiu 4,2% para 104,36 dólares (90,46 euros) por barril.
Os futuros dos EUA recuaram mais de 0,9%, enquanto o preço do ouro caiu 2% para 4.718,9 dólares (4.090,77 euros) por onça (equivalente a 31,1 gramas).
O Nikkei 225, o principal índice da bolsa de Tóquio, caiu 1,4% para 53.004,81 pontos, no início da sessão asiática de hoje. O índice Kospi da Coreia do Sul perdeu 3,4% para 5.292,36.
As principais bolsas de valores da China registaram hoje perdas de até 1,15% nos primeiros minutos da sessão.
O índice de referência da Bolsa de Valores de Hong Kong, o Hang Seng, registava uma queda de 1,06% por volta das 11:41 (04:41 em Lisboa), enquanto os indíces dos dois principais mercados da China continental, Xangai e Shenzhen, recuavam 0,53% e 1,15%, respetivamente.
O índice que acompanha a evolução das 300 maiores empresas desses dois mercados, o CSI 300, caía 0,74% à mesma hora.
Destaque ainda para a descida de 2,14% na Bolsa de Pequim -- embora a sua relevância seja menor devido à sua recente criação (2021) e ao foco nas pequenas e médias empresas -- e para a queda de 1,7% registada em simultâneo pelo Taiex da Bolsa de Taipé, do outro lado do estreito de Taiwan.
Seguindo a tendência mundial, as bolsas chinesas tinham encerrado na quarta-feira em terreno positivo perante a perspetiva de vir a ser anunciada uma resolução para o conflito no Médio Oriente, depois de Trump ter dado por cumpridos os principais objetivos militares.
Ao invés, na quarta-feira à noite, Donald Trump anunciou num discurso ao país que as forças norte-americanas vão atacar com "muita força" o Irão nas próximas duas a três semanas.
"Vamos atacá-los com extrema dureza nas próximas duas a três semanas. Vamos mandá-los de volta à Idade da Pedra, onde pertencem. Entretanto, as negociações continuam", afirmou o Presidente norte-americano.
Trump manifestou-se também convicto de que, assim que a guerra contra o Irão terminar, o estreito de Ormuz "abrir-se-á naturalmente", porque a República Islâmica precisa da venda de petróleo para se reconstruir e, por isso, os preços do petróleo irão baixar e as bolsas voltarão a registar ganhos.
Por outro lado, o inquilino da Casa Branca pediu aos países que dependem do petróleo escoado do Golfo através do Estreito de Ormuz que "cuidem" da passagem estratégica, por onde transita 20% do petróleo mundial em condições normais, porque os Estados Unidos "não precisam" desse petróleo e gás.
"Vão para o estreito, tomem-no, protejam-no, utilizem-no", declarou o Presidente norte-americano, que vem a criticar há semanas vários países aliados da NATO e outros países em todo o mundo por não terem auxiliado os Estados Unidos e Israel na campanha militar contra o Irão.