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Irão: Portugal está entre destinos favorecidos pela alteração dos fluxos turísticos

Lusa 21 de julho de 2026 às 08:45

Segundo um estudo da McKinsey.

 Portugal está entre os destinos que beneficiam da redistribuição dos fluxos turísticos associada à instabilidade no Golfo, com aumentos da ocupação hoteleira no Algarve, Porto e Alentejo, segundo um estudo da McKinsey.

Políticos em retiro de silêncio no Algarve, com destinos de férias criativos para opositores DR

No estudo "How conflict in the Gulf is remapping global travel " [Como o conflito no Golfo está a redesenhar o mapa das viagens globais], a consultora destaca "sinais positivos" no Algarve, onde a ocupação hoteleira aumentou 5,7 pontos percentuais, no Porto, com uma subida de 3,3 pontos, e no Alentejo, com mais 2,7 pontos, entre março e abril de 2026, face ao período homólogo.

Entre os elementos considerados no estudo estão inquéritos a 1.050 pessoas, com idades entre os 18 e os 64 anos, na Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Segundo a McKinsey, a instabilidade geopolítica está a levar os viajantes a reavaliar destinos e rotas, deslocando parte da procura para mercados alternativos e mais próximos das regiões de origem.

Também Espanha e Marrocos registaram uma evolução positiva da ocupação hoteleira, com subidas de 9,9 pontos percentuais em Tânger, 8 pontos em Alicante, 7,5 pontos em Agadir e 7,1 pontos em Marbella.

A consultora considera que a procura por viagens continua resiliente, apesar da incerteza geopolítica, mas identifica uma maior cautela dos consumidores, que privilegiam a flexibilidade e tendem a adiar as reservas até terem maior visibilidade sobre preços, rotas e condições de segurança.

Num inquérito realizado junto de consumidores italianos, 74% afirmaram pretender viajar durante o verão de 2026, embora 63% ainda não tivessem concluído as reservas à data do estudo.

Mais de metade dos inquiridos, 56%, indicou que os seus planos tinham sido afetados pela situação geopolítica, mas apenas 3% cancelaram totalmente as viagens, enquanto 24% estavam a adiar uma decisão até existir maior clareza sobre a evolução do contexto internacional.

A segurança está também a ganhar peso na escolha dos destinos, com entre 60% e 70% dos inquiridos nos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha a afirmarem que estão a ajustar os planos de viagem para os próximos meses devido à situação no Médio Oriente.

De acordo com o estudo, a perceção de segurança surge entre os principais fatores de decisão nos mercados analisados, ultrapassando critérios tradicionalmente relevantes, como o preço ou a conveniência.

A reorganização dos fluxos turísticos é particularmente visível na aviação, tendo o número de passageiros internacionais em ligação através dos principais centros aeroportuários do Médio Oriente diminuído cerca de 5,1 milhões entre março e abril, face ao mesmo período de 2025.

Esta redução corresponde a uma quebra aproximada de 53%, levando companhias aéreas e passageiros a recorrerem mais a rotas alternativas e a ligações diretas, segundo a McKinsey.

A consultora salienta que a conectividade aérea poderá tornar-se ainda mais determinante para a competitividade dos destinos, apontando a existência de voos diretos como um dos fatores com maior influência na atração de turistas internacionais de lazer.

A instabilidade geopolítica está igualmente a pressionar os custos operacionais das transportadoras aéreas, devido às restrições do espaço aéreo e ao aumento dos preços dos combustíveis.

Num cenário ilustrativo analisado pela McKinsey, os custos de um voo entre Londres e Bombaim podem aumentar até 63%, enquanto os preços dos bilhetes poderão subir entre 13% e 44%, caso o agravamento seja repercutido nos passageiros.

Nos mercados mais expostos ao conflito, o estudo identifica quedas acentuadas da atividade turística e das receitas hoteleiras.

Entre março e abril, a receita hoteleira caiu 75% no Dubai, o equivalente a uma redução de 1,8 mil milhões de dólares (perto de 1,6 mil milhões de euros), tendo recuado 49% em Abu Dhabi, 43% no Qatar e 42% em Riade, face ao período homólogo.

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