Sporting contrata benfiquista para expulsar Pereira Cristóvão

Augusto Freitas de Sousa 16 de setembro de 2017

Antigo vice-presidente chama incompetente a Bruno Carvalho por ter contratado um advogado benfiquista para representar o clube no processo disciplinar de que é alvo

O ex-vice-presidente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, está indignado com a escolha do advogado David Carvalho Martins que foi contratado para instruir o processo que pode levar à sua expulsão do clube. A notícia da escolha chegou no final de Agosto, altura em que o ex-dirigente recebeu a nota de culpa do clube de Alvalade. Na resposta do seu advogado, a que a SÁBADO teve acesso, insurge-se contra a escolha que recaiu sobre "um conhecido sócio do Benfica". Segundo o documento, dirigido a Nuno Silvério Marques, presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting, onde também se alega a prescrição do processo, "a sua condição de benfiquista não poderá ser relegada como inócua neste processo".

No texto enviado, o advogado junta várias reproduções do Facebook do jurista do Benfica, entre outras, comentários, fotos de perfil com o estádio da Luz e a partilha de outros símbolos do clube. Paulo Pereira Cristóvão disse à SÁBADO que quando teve conhecimento "da identidade clubística do instrutor do processo" ficou estupefacto, "porquanto e como foi referido na resposta, se o Bruno Miguel anda há quatro ou cinco anos com a bandeira de que o Benfica se quer imiscuir na vida interna do Sporting, não se compreende como é que traz um benfiquista pago pelo Sporting para instruir um processo contra um sócio do Sporting com 45 anos de associado".

Segundo o antigo dirigente, na altura em que se desenrolava o caso conhecido como processo Cardinal, no Sporting "ficou decidido abrir um processo de inquérito que deveria ter passado a processo disciplinar quando a acusação fosse conhecida". Paulo Cristóvão diz que só passados cinco anos de ter saído a acusação é que foi instaurado um processo disciplinar. Ainda segundo a defesa, os responsáveis sportinguistas juntaram à nota de culpa uma entrevista que Cristóvão deu a 17 de Abril de 2017, sem que, garantem, "tivesse havido uma denúncia ou uma participação particular". Refere Cristóvão que "Bruno Miguel sentiu-se ofendido com um comunicado que fiz em Abril deste ano, mas esqueceu-se de fazer a competente participação". "Deixou passar de novo os 90 dias que a lei impõe", indica. Acrescenta ainda que "qualquer advogado, inclusive os do clube, saberiam que a existir procedimento disciplinar, este deveria ter ocorrido até 90 dias após a acusação pública que ocorreu em Dezembro de 2012".

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