Mesa da AG pede investigação a divulgação de acta do Sporting

"A divulgação pública do documento em causa preenche também, objectiva e subjectivamente, uma prática criminosa", defende órgão.

A Mesa da Assembleia Geral (MAG) do Sporting pediu hoje à Procuradoria Geral da República para investigar a divulgação da acta da reunião dos órgãos sociais, considerando que o documento está cheio de falsidades.

"Para além de ilegal, nos termos gerais de Direito, a divulgação pública do documento em causa preenche também, objectiva e subjectivamente, uma prática criminosa que não pode deixar de merecer a respectiva censura e resposta, pelo que, na defesa dos interesses do Sporting Clube de Portugal (...), considera-se que se impõe sobre a Procuradoria-Geral da República uma investigação sob a situação da designada 'acta', tendo também sobretudo em conta que a sua divulgação pública constitui prática dolosa e enganosa", lê-se num comunicado.

No mesmo documento, a MAG considera que a acta foi "ardilosamente construída" e que tem um teor "manipulado, truncado e incompleto, contendo um conjunto vasto de falsidades, de intervenções parcialmente transcritas e outras totalmente descontextualizadas".

Na sexta-feira, o porta-voz da direcção do Sporting, Fernando Correia, disse que a acta ia ser enviada aos sócios do clube, tendo sido hoje divulgados alguns excertos em vários órgãos de comunicação social.

O presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, Jaime Marta Soares, disse na quinta-feira que ficou agendada para 23 de Junho uma Assembleia-Geral de destituição dos órgãos sociais do clube.

A crise que se vive no Sporting iniciou-se no dia 15 de Maio, quando cerca de 40 alegados adeptos encapuzados invadiram a Academia do Sporting, em Alcochete, e agrediram alguns jogadores e elementos da equipa técnica.

A GNR deteve 23 dos atacantes, que ficaram em prisão preventiva depois de terem sido ouvidos no tribunal de instrução criminal do Barreiro.

Paralelamente, no âmbito de uma investigação do Ministério Público sobre alegados atos de tentativa de viciação de resultados em jogos de andebol e futebol, tendo como objectivo o favorecimento do Sporting, foram constituídos sete arguidos, incluindo o 'team manager' do clube, André Geraldes.

Na sequência destes acontecimentos, os elementos da Mesa da Assembleia Geral, a maioria dos membros do Conselho Fiscal e parte da direcção apresentaram a sua demissão, defendendo que Bruno de Carvalho não tinha condições para permanecer no cargo.

De seguida realizaram-se duas reuniões entre a Mesa e membros do Conselho Fiscal com o Conselho Directivo, que culminaram com a decisão anunciada na quinta-feira por Jaime Marta Soares.

Leia o comunicado na íntegra: 

Em face da divulgação pública durante o dia de hoje, por parte do Conselho Directivo, de um documento designado "Acta da reunião dos órgãos sociais do Sporting Clube de Portugal de 24 de Maio", o Presidente da Mesa da Assembleia Geral, bem como todos os membros demissionários da Mesa da Assembleia Geral, vêm esclarecer os Sócios do Sporting Clube de Portugal em conformidade e nos seguintes termos:

1) O documento em causa não reflecte o teor da reunião plenária dos Órgãos Sociais do Clube realizada no passado dia 24 de Maio, não foi exibido, nem lido, nem assinado por qualquer um dos presentes. Para além disso, uma vez que não constitui qualquer acta do Clube, a sua designação e divulgação como tal, causa danos à imagem e honra da Instituição Sporting Clube de Portugal.
 
2) O teor da referida – mas inexistente – "acta", ardilosamente construída, encontra-se manipulado, truncado e incompleto, contendo um conjunto vasto de falsidades, de intervenções parcialmente transcritas e outras totalmente descontextualizadas.

3) Para além de ilegal, nos termos gerais de Direito, a divulgação pública do documento em causa preenche também, objectiva e subjectivamente, uma prática criminosa que não pode deixar de merecer a respectiva censura e resposta, pelo que, na defesa dos interesses do Sporting Clube de Portugal enquanto Instituição de Utilidade Pública Desportiva, considera-se que se impõe sobre a Procuradoria-Geral da República uma investigação sob a situação da designada "acta", tendo também sobretudo em conta que a sua divulgação pública constitui prática dolosa e enganosa.
 
4) Por último, por entender que não pode, nem deve, estar constantemente a responder a provocações e práticas ilegais constantes do Conselho Directivo, que apenas prejudicam a imagem e os destinos do Clube, vem a Mesa da Assembleia Geral esclarecer que só se pronunciará, como é sua prática, nos termos estatutários e sempre na defesa dos superiores interesses do Clube.

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