Ester Alves: a portuguesa que correu 160 km no Evereste

A portuguesa que correu 160 km no Evereste
Carlos Torres 08 de dezembro de 2017

Enfrentou iaques nos Himalaias e correu centenas de quilómetros no Monte Branco, no deserto do Sahara e nas florestas tropicais da Costa Rica. A atleta portuguesa não pára de supreender no trail

Não é fácil correr a 4 mil metros de altitude, num percurso que inclui gelo, neve, lama, e pedras, muitas pedras. Mas houve outra dificuldade que Ester Alves, de 36 anos, sentiu nos seis dias – e 160 km – da ultramaratona Everest Trail Race, uma das mais duras provas do mundo: enfrentar os iaques, os bois das montanhas dos Himalaias, que atacam se se sentirem ameaçados.

"Disseram-nos que se encontrássemos iaques, que são animais de carga, nas pontes suspensas, algumas em desfiladeiros de 500 metros de altura, só devíamos atravessar depois dos iaques passarem, mas eu, como estava a disputar a vitória, corri sempre. Vinham cinco ou seis iaques e o ‘guia’ só lá muito atrás. Eu encostava-me à berma, fechava os olhos e lá ia eu", conta Ester à SÁBADO. "Felizmente correu tudo bem, mas já houve casos, com turistas, em que eles se sentiram ameaçados e atiraram as pessoas para o precipício".

Ester Alves, de 36 anos, ficou em 2º lugar, a melhor classificação de sempre de uma ocidental na prova, que se realizou entre 5 e 17 de Novembro. Desde que regressou a Portugal, não voltou a correr. "Dezembro é o único mês em que não entro em provas, mas nunca fico parada, tenho feito ginásio, natação", contou.

Aliás, não resistiu a fazer um "treino" de 300 km, no passado fim-de-semana de 1 de Dezembro, quando foi apoiar alguns amigos na Algarviana, um ultratrail que atravessa todo o Algarve, entre Alcoutim e o cabo de São Vicente. A estreia na época de trail de 2018 vai acontecer a 27 de Janeiro, com o Ultra Trilhos dos Abutres (50 km na serra da Lousã). Entre as principais provas, Ester vai correr o Challenge da Costa Rica (225 km), a 10 de Fevereiro; o Campeonato do Mundo de Trail (decorre em Maio, em Penyagolosa, na zona de Valencia, Espanha) e o ultratrail do Monte Branco (171 km, em Agosto).

O gosto pelo desporto vem de criança: "Destacava-me nas aulas de Educação Física, era sempre a última a sair do campo", conta. Em 2002, com 22 anos, estreou-se no desporto federado, no remo – esteve quatro anos no Clube Fluvial Vilacondense, venceu várias provas, foi à selecção nacional e disputou um campeonato do mundo.

Em 2008 estreou-se no ciclismo, modalidade onde ganhou dois títulos nacionais de estrada. Também participou nos Mundiais, na Taça do Mundo, na Volta à França e em provas em Espanha – chegou a correr pela Lointek, do País Basco.

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