Desde os prazos para fazer a matrícula até como se candidatar aos apoios do Estado. A SÁBADO explica tudo sobre os próximos passos que os estudantes devem dar.
No próximo domingo, dia 23 de agosto, vão ser publicados os resultados da 1ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior. Todos os candidatos podem consultar a sua colocação na plataforma da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) - é comum serem enviados também emails - mas entre domingo e o início do ano letivo – no início da segunda quinzena de setembro – ainda existem muitas decisões que os alunos terão de tomar.
Alunos têm até dia 27 de agosto para fazer as matrículasMiguel Baltazar
1Conseguiu entrar na sua primeira opção, o que se segue?
Entre os dias 24 e 27 de agosto devem ser feitas as matrículas e inscrições nas instituições de ensino. Apesar destes prazos serem publicados para todo o País, vale a pena confirmar no site oficial da universidade ou politécnico para ter a certeza das datas e se o processo é online ou presencial.
Para efetuar a matrícula é necessário o cartão de cidadão e o boletim de vacinas atualizado. É também preciso pagar o seguro escolar, que varia entre os 10 a 20 euros, a taxa de matrícula, com valores entre os 20 e os 60 euros, e a primeira prestação da propina, no valor máximo de 67,9€.
2Que apoios pode pedir?
O apoio mais comum para os alunos do Ensino Superior é a bolsa de estudo da DGES, que pode ser pedido até o dia 2 de outubro. Todo o processo é feito na plataforma BeOn, da DGES, onde deve preencher o formulário com os dados pessoais, académicos e financeiros do seu agregado familiar, comprovando que tem a situação tributária e contributiva regularizada e que o agregado familiar não tem património mobiliário de valor superior a 240 vezes o Indexante dos Apoios Sociais (IAS).
O valor atribuído depende da avaliação individual de todos os documentos submetidos, no entanto tendem a ser de 872 euros por ano para aqueles que se encontram no 3º escalão do abono, podendo chegar aos 2.954,22 euros para aqueles que estão no 1º escalão do abono, pagos em dez prestações mensais. É possível obter uma estimativa do valor que vai receber utilizando o simulador da DGES.
Este ano letivo passa a existir também uma bolsa de incentivo destinada aos estudantes que entram pela primeira vez no ensino superior e que sejam beneficiários do 1º escalão do abono de família. O apoio corresponde a duas vezes o Indexante Apoio Social (IAS) que, em 2026, tem o valor de 1074,26 euros. A atribuição desta bolsa é automática, acumulável com a bolsa da DGES e pode ser renovada desde que o aluno tenha um desempenho académico considerado excecional. Isto significa que deve ter uma média anual igual ou superior à nota de corte dos 25% melhores alunos entre todos os estudantes inscritos no mesmo curso e ano curricular que tenham concluído 60 ECTS.
Assim sendo, os alunos do primeiro escalão do abono vão conseguir um valor total de bolsa de 4.028,48 euros.
Além destas bolsas com regras nacionais existem outros apoios financeiros atribuídos por várias autarquias aos estudantes residentes em cada localidade. Os prazos, valores e regras mudam consoante o município, pelo que o melhor é confirmar junto da sua autarquia se existe algum apoio que possa receber. Fique a saber que Oeiras, Cascais, Torres Vedras, Vila Franca de Xira e Alvito são algumas das câmaras onde estes apoios estão disponíveis.
Também os alunos das Regiões Autónomas têm direito a apoios específicos, incluíndo um subsídio social de mobilidade que permite o reembolso de parte do custo dos voos entre as ilhas e o Continente ou entre ilhas, que pode ser pedido na plataforma GOV.PT ou numa loja dos CTTs e só deverá ser solicitado após o pagamento do bilhete de avião em nome do estudante.
3Como preparar uma mudança de cidade?
Se vai ter de mudar de casa para continuar os seus estudos, fique a saber que deverá ser uma tarefa fácil. Os elevados preços das rendas, as exigências de vários pagamentos antecipados e a falta de vagas nas residências universitárias dificultam o processo.
São considerados estudantes deslocados aqueles cuja distância entre a residência permanente e o local onde frequentam o curso seja igual ou superior a 50 quilómetros. Casos em que a distância é menor podem ser avaliados, tendo em conta o tempo necessário para a deslocação em transportes públicos, existência e adequação destes transportes, regularidade dos mesmos, compatibilidade com os horários das aulas e eventuais necessidades específicas de mobilidade.
A primeira decisão que tem de tomar é se quer, ou não, candidatar-se a uma vaga na residência dos Serviços de Ação Social. Caso pretenda, depois de fazer a matrícula deve aceder ao portal dos Serviços de Ação Social do estabelecimento de ensino, preencher o formulário de candidatura e enviar os documentos necessários, como o IRS do agregado familiar e o comprovativo de matrícula.
Este ano, todos os alunos estudantes bolseiros deslocados passam a receber um complemento mensal de alojamento, cujo montante equivale a 30% do IAS, o que corresponde a 160 euros. Isto significa que mesmo um aluno que decida ficar na residência do estabelecimento de ensino, ou na casa de um familiar, tem direito a este apoio.
O mercado privado é outra opção e, se esta for a sua escolha, o melhor é procurar quartos em sites de arrendamento, com fotografias e detalhes de cada habitação, como o Idealista. É comum existirem também grupos no Facebook onde pode procurar quartos para arrendar na cidade para onde se vai mudar, no entanto, deve ter cuidado ao analisar os anúncios e nunca pagar por um quarto que ainda não foi visitar.
De acordo com a nova reforma da Ação Social, que o Governo vai aplicar já no ano letivo de 2026/27, os bolseiros que não consigam vaga numa residência vão receber uma verba correspondente ao valor estimado do custo do alojamento para o concelho. Para o receberem, os alunos apenas têm de comprovar que se candidataram às residências e deixam de estar obrigados a entregar um contrato de arrendamento.
Isto significa que os alunos deslocados em Lisboa vão receber até 500 euros, no concelho de Cascais 488 euros, em Oeiras 459, no Porto e em Almada 419, em Braga 326 e em Coimbra 338. Todos os estudantes que pedirem e não conseguirem vaga numa residência verão a bolsa ser-lhes automaticamente majorada, no entanto, se um aluno tiver vaga na residência pública da instituição de ensino e recusá-la, perde o direito ao valor extra para o alojamento privado e mantém apenas o apoio-base de alojamento incluído na bolsa, os 160 euros mensais. Isto porque a lei dá prioridade absoluta aos bolseiros deslocados no acesso às residências, mas não os obriga a aceitar.
Os estudantes não bolseiros também podem ter apoio para o alojamento. Neste caso, o complemento tem um valor máximo de metade do custo médio do alojamento privado no concelho, ou seja até 250 euros em Lisboa e 210 no Porto. Para este efeito os estudantes devem candidatar-se à bolsa, mesmo não sendo bolseiros, e responder “sim” à pergunta sobre a atribuição de complemento em caso de indeferimento. Continuam obrigados a apresentar o contrato de arrendamento e este apoio só é negado se o rendimento médio anual por membro do agregado familiar foi superior a 12.353,99€, ou seja ultrapassar os 23 IAS.
4Não conseguiu entrar no curso que queria, o que ainda pode fazer?
Mais de 60 mil alunos candidataram-se este ano ao Ensino Superior, um número bastante superior aos 44 mil colocados do ano passado. Por isso, é provável que este aumento do número de candidaturas origine também um aumento do valor mínimo para a entrada nos cursos.
Para aqueles que não ficarem colocados, ou que não conseguirem aquela que seria a sua primeira opção, não está tudo perdido. A segunda fase de candidaturas começa já no dia 26 de agosto e só termina a 4 de setembro.
Até 1 de setembro as universidades terão também de divulgar o número de vagas sobrantes, disponíveis para a segunda-fase.
A divulgação destas colocações será feita até 30 de setembro. Entre 10 a 12 de outubro podem ainda ser apresentadas as candidaturas para a terceira fase, com os resultados a serem publicados até 18 de outubro.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.