Sábado – Pense por si

Hugo Oliveira
Hugo Oliveira Deputado à Assembleia da República
21 de agosto de 2026 às 08:55

Centros de Conhecimento e Inovação: o caminho para uma universidade 4.0

A própria ideia de construir uma universidade de nova geração, presente na Agenda de Transformação ULO2035, aponta para a necessidade de repensar as instituições de ensino superior e o seu papel na sociedade.

A educação encontra-se perante uma transformação profunda. As mudanças tecnológicas, económicas, sociais e ambientais estão a alterar a forma como trabalhamos, comunicamos e participamos na vida coletiva.

Neste novo contexto, já não basta transmitir conhecimentos de forma tradicional. É necessário formar cidadãos capazes de pensar criticamente, trabalhar em rede, inovar e responder a problemas cada vez mais complexos.

É por isso que Portugal deve assumir como prioridade a criação de Centros de Conhecimento e Inovação, articulados com as instituições de ensino superior, as escolas, as empresas, as autarquias, os centros de investigação e as comunidades locais. Estes centros deverão ser espaços de encontro, experimentação e produção de soluções, aproximando o conhecimento académico das necessidades concretas dos territórios e do país.

A própria ideia de construir uma universidade de nova geração, presente na Agenda de Transformação ULO2035, aponta para a necessidade de repensar as instituições de ensino superior e o seu papel na sociedade.

Uma universidade moderna não pode viver isolada das empresas, das instituições públicas ou dos desafios que marcam o nosso tempo. Deve ser uma instituição aberta, dinâmica, colaborativa e permanentemente ligada à inovação.

Os Centros de Conhecimento e Inovação podem desempenhar uma função decisiva neste processo. Podem apoiar projetos de investigação aplicada, promover o empreendedorismo, estimular a transferência de tecnologia e criar condições para que estudantes e investigadores desenvolvam soluções com impacto económico, ambiental e social. Podem também contribuir para a valorização dos territórios, para a atração de investimento e para a fixação de jovens qualificados.

Esta visão exige uma política educativa verdadeiramente integrada.

O atual Ministro da Educação tem esta visão holística do sistema, compreendendo que a Educação não pode ser pensada de forma separada da Ciência, da Inovação, da Cultura, do Emprego, da Transição Digital, da Sustentabilidade e do Desenvolvimento Regional.

Mas o que é uma Universidade 4.0?

A Universidade 4.0 representa uma evolução do modelo tradicional de ensino superior. É uma universidade mais digital, inteligente, interdisciplinar, flexível e orientada para a resolução de problemas reais. Utiliza as novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial e a análise de dados, sem esquecer que o conhecimento deve estar ao serviço das pessoas e da sociedade.

Uma Universidade 4.0 não se limita a preparar os estudantes para o primeiro emprego. Prepara-os para um mundo profissional marcado pela mudança, pela inovação e pela aprendizagem ao longo da vida. O seu objetivo é desenvolver competências digitais, pensamento crítico, criatividade, capacidade de adaptação, trabalho em equipa e responsabilidade social.

Neste modelo, o estudante deixa de ser apenas recetor de informação e passa a assumir um papel ativo na construção do conhecimento. A aprendizagem deve ser mais personalizada, baseada em projetos, na experimentação e na colaboração com empresas, instituições públicas e organizações sociais.

A Universidade 4.0 deve também ser uma universidade sem muros. Deve estar presente no território, responder aos desafios das comunidades e transformar o conhecimento científico em soluções concretas. Um problema relacionado com a gestão de resíduos, a eficiência energética, a mobilidade, a proteção civil ou a adaptação às alterações climáticas pode e deve ser transformado numa oportunidade de investigação, aprendizagem e inovação.

Os Centros de Conhecimento e Inovação poderão constituir a infraestrutura essencial deste novo paradigma.

Neles, um estudante de engenharia poderá trabalhar com especialistas em ambiente; um investigador poderá colaborar com uma autarquia; uma empresa poderá desenvolver uma solução tecnológica com o apoio de uma universidade; e uma comunidade poderá participar na criação de respostas para os seus próprios desafios.

Esta cooperação é particularmente importante num país que precisa de reduzir desigualdades territoriais e criar oportunidades fora dos grandes centros urbanos. O conhecimento e a inovação não podem estar concentrados apenas em algumas cidades ou instituições. Devem chegar a todo o território, respeitando as suas especificidades e valorizando os seus recursos humanos, económicos e naturais.

A criação destes centros não deve ser vista como mais uma reforma administrativa. Deve ser encarada como uma decisão estratégica para o futuro de Portugal. Investir em conhecimento é investir na competitividade, na coesão social, na sustentabilidade e na soberania do país.

Portugal precisa de uma Educação com ambição, visão e capacidade de antecipação. Uma Educação que não se limite a reagir às mudanças, mas que seja capaz de as liderar. Para isso, é fundamental uma liderança política com visão holística, capaz de aproximar o ensino, a investigação, a inovação e os territórios, e aí o Ministro da Educação, Fernando Alexandre está na linha da frente.

Os Centros de Conhecimento e Inovação podem ser o ponto de partida para essa transformação. Podem ajudar a construir uma Universidade 4.0: mais aberta, mais tecnológica, mais colaborativa e mais preparada para o futuro.

A grande reforma educativa de que Portugal necessita não é apenas digital. É também cultural, institucional e territorial. Exige uma nova forma de pensar, cooperar e criar conhecimento. O futuro da Educação dependerá da nossa capacidade de construir pontes entre instituições e de transformar o conhecimento numa verdadeira força de desenvolvimento nacional.

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