A igreja de Justin Bieber chegou a Portugal

Catarina Guerreiro 03 de junho de 2017

Está a conquistar músicos, actores e jovens. Nas reuniões há concertos de música pop, com letras que falam de Deus. O líder português é Mário Rui, um pastor de 48 anos, de imagem cool, que comanda já 1.500 fiéis e 600 voluntários

Vestido de forma cool, calças pretas, camisa preta por fora e os ténis da Adidas, de moda, o pastor Mário Rui Boto, de 48 anos, subiu ao palco e discursou para centenas de pessoas que na noite de 16 de Fevereiro encheram o cinema São Jorge, em Lisboa. Tinha ali o seu iPad, colocado num suporte metálico em cima do palco, para o ir ajudando no que dizia. "Bem -vindos à Hillsong Portugal", gritou, anunciando a novidade: a Igreja hipster, de origem australiana, que conquistou o cantor Justin Bieber, acabava de chegar ao País. A multidão estava eufórica, estimulada pelo grupo de música pop que tinha actuado antes. Cinco vocalistas, dois guitarristas, um baixo, um organista e um baterista deram, durante quase meia hora, um verdadeiro concerto. As letras falavam de Deus, mas a música era em estilo pop-rock. "Bora lá gritar, pessoal", pedia Rúben Barradas, um dos vocalistas da banda – que eles chamam de louvor. O público dançava, pulava, levantava os braços e acompanhava as canções. "Amor maior que o meu pecado/ quem nos pode separar/ Quão perfeito este nome é/ Quão perfeito este nome é/ o nome de Jesus meu Rei."

O som moderno, o ambiente, tudo era igual ao que se vive nos concertos: com fumo, às escuras, apenas as luzes psicadélicas de várias cores iam iluminando o palco; e num ecrã gigante passavam imagens geométricas e as letras das músicas. Estas são criadas pela casa-mãe na Austrália e depois traduzidas. O show faz parte dos rituais desta Igreja que em Portugal, tal como no resto do mundo, está a conseguir cativar fiéis nas principais cidades.

O líder português Mário Rui, um adepto de jogging e de caça submarina, garante à SÁBADO que no mundo há 100 mil seguidores, e adianta que em território nacional são já 1.500. Apesar de só em Fevereiro a Hillsong passar a existir oficialmente em Portugal, antes Mário Rui já dirigia um grupo que se inspirava nesta organização australiana. Chamava-se Centro Cristão da Cidade, sendo uma das estruturas religiosas não católicas reconhecidas pelo Estado português.

"É uma Igreja que usa a música moderna para atrair os jovens", confirma António Calaim, presidente da Aliança Evangélica, organismo que em Portugal agrega as Igrejas reconhecidas como evangélicas, incluindo o Centro Cristão da Cidade que agora se tornou Hillsong. "Eles têm uma forma diferente de fazer a liturgia, gastando tanto ou mais tempo com música do que com a pregação", explica, por seu lado, Fernando Loja, também da Aliança Evangélica e membro da Comissão da Liberdade Religiosa, da qual foi, aliás, nos últimos anos presidente interino.
Todos sabem que esta Igreja tem uma forma muito diferente de actuar: usam mais música do que o habitual com uma batida pop-rock e os pastores pregam de ténis, calças de ganga e em mangas de camisa. Nas outras evangélicas há, em regra, mais formalidade, admite Calaim, explicando que muitos pastores usam até gravata, colarinho eclesiástico ou toga. "A ideia é fazer uso das artes e ter um estilo diferente para atingir a nova geração que se revê nesta forma de estar", acrescenta Calaim, explicando que são maneiras distintas mas legítimas de "transmitir a palavra de Deus".

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