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Estudantes de Medicina aprendem com Doutores Palhaço: “Uma lufada de ar fresco”
Vinte e três alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa frequentam uma cadeira com a Operação Nariz Vermelho para desenvolverem "capacidade de responder de forma empática às necessidades humanas e emocionais dos pacientes".
Durante a manhã em que a SÁBADO esteve na sede da Operação Nariz Vermelho, em Lisboa, os alunos do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa experimentaram várias dinâmicas onde foram desafiados pelo diretor artístico da organização, Fernando Escrich, a darem mais atenção ao outro. Esta é já a segunda edição da cadeira opcional “A Arte do Doutor Palhaço no Contexto da Formação dos Estudantes de Medicina” e contou comum total de 23 alunos.
Carolina Santocha e Inês Rodrigues numa das aulas
Foto: Miguel Baltazar/ SÁBADO
Estudantes do Mestrado Integrado em Medicina
Foto: Miguel Baltazar/ SÁBADO
Duas mulheres frente a painéis com imagens de palhaços em contexto hospitalar
Foto: Miguel Baltazar/ SÁBADO
Miguel Baltazar/ SÁBADO
“Devolver o direito a brincar”
Anabela Possidónio reforça que os Doutores Palhaços “têm a missão de levar alegria à criança hospitalizada, mas também aos familiares e aos profissionais de saúde”. Isto porque enquanto “os profissionais de saúde estão lá para tratar da doença, os Doutores Palhaços estão lá para trabalhar com o lado saudável da criança e devolver-lhe o direito a brincar”. Fernando Escrich explica os Doutores Palhaços “não levam nada pronto para o hospital” e que “é um trabalho muito baseado no improviso”, mas que tem por base “três pilares super importantes: o olhar, a escuta e a perceção”. “A forma de olhar para as pessoas, de escutar, de perceber e de entender a situação ao nosso redor tem de ser cuidado para termos uma relação mais humanizada e uma comunicação que traga uma memória boa da hospitalização e do atendimento de uma pessoa que procura um serviço médico”. A diretora-geral da Operação Nariz Vermelho desvenda que “os Doutores Palhaços quando chegam ao hospital falam com as enfermeiras para saber o nome das crianças que estão hospitalizadas, saber o estado anímico, como é que elas estão, a nacionalidade, se falam ou não português, para tentar ter o máximo de informação. Com essa informação eles podem ir adaptando o seu encontro com as crianças”.
Miguel Baltazar/ SÁBADO
Doutor ou artista?
A Operação Nariz Vermelho quer profissionalizar a carreira do Doutor Palhaço para conseguir “dominar o mapa de Portugal e chegar a todas as alas pediátricas do Paí”, partilha o diretor artístico. A instituição está neste momento presente em 22 hospitais e Anabela Possidónio refere que no ano passado existiram mais de 67 mil encontros, “sendo que algumas crianças podem receber a vista do Doutor Palhaço mais do que uma vez”. “Para isso, precisamos de cuidar mais do trabalho artístico que é entregue” pelo qual a Operação Nariz Vermelho começou, este ano, “um processo de formação artística” para aumentar “os artistas externos já formados na linguagem do palhaço hospitalar e que possam ajudar-nos na expansão”. Assim sendo, mensalmente, “abrimos as portas da nossa sala de ensaio para os artistas que queriam experimentar a nossa linguagem”, mas “sem se tratar de uma audição”. Fernando Escrich esclarece que “um Doutor Palhaço é um artista que escolhe investigar a linguagem do palhaço e, de repente, conheceu um novo mercado de investigação, que é o palhaço do hospital”. O diretor artístico reforça que este trabalho “precisa de muita subtileza e treino” para conseguir cumprir a sua missão: “Levar alegria”.Artigos Relacionados
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