Secções
Entrar

A entrevista a partir da prisão: Weinstein diz que vai conseguir provar a sua "inocência"

Diogo Barreto 11 de março de 2026 às 23:00

"Enganei mulheres e isso é imoral, mas não as agredi", assegura o ex-produtor acusado de vários crimes sexuais. E garante que "está a morrer" atrás das grades.

Harvey Weinstein, o ex-produtor de Hollywood caído em desgraça depois de dezenas de denúncias dos seus comportamentos sexualmente abusivos contra atrizes, deu a primeira entrevista desde que foi detido há seis anos. Numa entrevista ao , o ex-produtor reafirmou a sua inocência e aponta o dedo às atrizes que o acusaram de violência e abuso sexual.

Harvey Weinstein declara inocência em entrevista da prisão e alega problemas de saúde Curtis Means/Pool Photo via AP

A certa altura o jornalista Maer Roshan confronta Weinstein, afirmando qeu parece que o ex-produtor só está arrependido de ter traído as suas esposas. "Está arrependido de alguma transgressão que não essa", questiona. "Eu enganei-as. Eu traí ambas as minhas mulheres. Isso é imoral. Mas não as ataquei. Essa é a grande mentira disto tudo. Não vou pedir desculpa por algo que não fiz. Vou conseguir provar a minha inocência. Prometo isso", respondeu Weinstein. "Alguma vez agredi sexualmente uma mulher? Não. Nunca fiz isso”, assegurou noutro ponto da entrevista. "Sim, existia um desequilíbrio de poder. Sei que posso ser assustador e difícil. Mas isso ainda está muito longe de ser um abuso sexual", defendeu-se ainda.

Sobre as suas condições, o antigo magnata classifica a prisão de Rikers Island, em Nova Iorque, como "um inferno". "É muito perigoso para mim estar perto de qualquer outra pessoa. Outros reclusos podem ir para o pátio. Mas de cada vez que estou lá fora, sinto-me como se estivesse cercado", disse Weinstein ao The Hollywood Reporter. "Uma vez, enquanto esperava para usar o telefone, perguntei ao rapaz à minha frente se já tinha terminado. Ele levantou-se e deu-me um soco na cara. Caí no chão, a sangrar por todo o lado. Fiquei muito ferido", acrescentou. 

A condenação original de Weinstein em 2020, em Nova Iorque, e a consequente pena de 23 anos de prisão, foram anuladas, mas num novo julgamento em junho, foi condenado por duas acusações de agressão sexual. Um tribunal da Califórnia condenou-o separadamente por violação e, em 2023, aplicou uma pena de 16 anos de prisão, que o juiz determinou que fosse cumprida após a sua sentença em Nova Iorque. E ao jornalista do site o homem de 73 anos informou que tem medo de morrer em Rilkers.

"É incrível ter tido a vida que tive e feito tudo o que fiz pela sociedade, e não ter a clemência de ser tratado com mais benevolência. Independentemente do que achem que fiz de errado na vida, não recebi a pena de morte. Vou fazer 74 anos em março [dia 19]. Não quero morrer aqui dentro", disse à revista.

 Em 2017, investigações da New Yorker e do New York Times revelaram uma série de denúncias de jovens mulheres que desencadearam uma avalanche de acusações de mais de 80 vítimas e impulsionaram o movimento global #MeToo e atiraram Weinstien para a desgraça.  

Artigos Relacionados
Artigos recomendados
As mais lidas