Sindicato da banca contra liquidação do Novo Banco em 2017

Negócios 19 de julho de 2016

O esforço dos trabalhadores do Novo Banco mostra a injustiça de avançar para a liquidação do Novo Banco em 2017, como admite António Costa. O SNQTB pede uma solução europeia para a banca e não soluções "originais" em Portugal.

Por Diogo Cavaleiro - Jornal de Negócios

Um dos sindicatos dos bancários não concorda com a ida do Novo Banco para liquidação, caso não haja uma efectiva venda em Agosto de 2017. A resposta segue-se à carta que foi divulgada em que a hipótese, consagrada na lei, é admitida pelo primeiro-ministro António Costa.
 
"O SNQTB considera que o Novo Banco é uma instituição viável e com futuro e aguarda que o Governo adopte medidas com visão, eficácia e de natureza estruturante para resolver os problemas actuais da instituição", defende o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários num comunicado enviado esta terça-feira, 19 de Julho.
 
A ida para liquidação ordeira do Novo Banco, entidade que ficou com os activos e passivos do BES considerados saudáveis a 3 de Agosto de 2014, "é uma solução infeliz e despropositada, sobretudo num contexto de nova tentativa de venda". O Banco de Portugal está a tentar negociar a venda do Novo Banco com quatro investidores estratégicos e, caso não seja bem-sucedido, a alienação em mercado a institucionais.
 
No comunicado, o SNQTB "rejeita liminarmente que o processo de liquidação do Novo Banco possa representar uma contrapartida para a não aplicação dessas sanções". "É tremendamente injusto para todos os trabalhadores do Novo Banco que, incansavelmente, têm sabido defender a instituição e os seus clientes", indica Paulo Marcos, presidente do SNQTB, citado no mesmo comunicado.
Aliás, segundo o próprio, é precisa uma solução europeia e não única. "Muitas vozes reputadas na Europa vêm apontando para a necessidade de uma solução ‘pan-europeia’ para o sector bancário, pelo que é incompreensível que ocorra esta perigosa ânsia de encontrar soluções originais no contexto português, com desfecho imprevisível".
 
O Novo Banco foi criado em 2014 na sequência da resolução aplicada ao BES. Na altura, a resolução foi a alternativa à liquidação mas a instituição é um banco de transição, já que o Fundo de Resolução tem de alienar a sua posição accionista.

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