Beira renasce das cinzas cinco meses após destruição

CM 23 de março de 2018

Populações fustigadas pelos incêndios de 2017 tentam voltar à normalidade e ultrapassar as dificuldades ateadas pelas chamas.

Por Correio da Manhã

"Passei muita fome. Carreguei com muita areia à cabeça dali [aponta para mais de 100 metros de distância] para construir esta casa e, agora, em minutos, o fogo destruiu tudo. Que tristeza", lamenta Fernanda Silva, em Póvoa de Rodrigo Alves, Tondela. O testemunho desta mulher espelha o sentimento de perda de milhares de pessoas que ficaram sem tecto nos incêndios de 2017. Gente que agora tenta renascer das cinzas a muito custo.

Sentada em frente aos destroços da casa onde viveu mais de 40 anos, e de lenço na cabeça, Fernanda recorda o pânico da noite de 15 de outubro – que fez 48 mortos. "Começou tudo a arder. Eu estava dentro de casa e foi o meu neto que me salvou, que me arrastou para fora com duas toalhas molhadas", recorda ao CM a idosa de 79 anos, que agora só pede para lhe fazerem "uma casinha pequenina". "Só quero uma coisa rasteira, porque já me custa a andar. Dois quartos e uma sala chegam. Um para mim e outro para a minha filha. Que Deus me ajude!".

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