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Assédio laboral nas artes performativas é tema de três dias de reflexão em Lisboa

Lusa 05 de novembro de 2026 às 17:15
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O Evento MUDA vai abrir com um debate na presença do diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues; da socióloga Dália Costa, da inspetora do Trabalho Sofia Nabais e de Margarida Barata, do sindicato Cena-STE.

O assédio laboral de profissionais nas artes performativas e cruzamentos disciplinares é o tema central de um ciclo de debates organizado pelo projeto MUDA, que começa no sábado na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa
Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa DR

O Evento MUDA vai acontecer durante três dias e, além de debates, contará com uma ação de formação e a apresentação de um manual inédito para prevenir e agir em caso de assédio em contexto de trabalho nas artes performativas (como teatro, dança e circo) e cruzamentos disciplinares.

Esta iniciativa surge meses depois de ter sido apresentado o primeiro estudo técnico-científico em Portugal sobre assédio laboral, expondo "um fenómeno estrutural, amplificado por precariedade, com assimetrias de poder e lacunas de literacia, com impactos psicológicos significativos e persistentes", como foi revelado em março.

O Evento MUDA abrirá com um debate de reflexão sobre as conclusões daquele estudo, com a participação do diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, da socióloga Dália Costa, da inspetora do Trabalho Sofia Nabais e de Margarida Barata, do sindicato Cena-STE.

Outro dos debates será sobre "responsabilidade e reparação", de "instituições públicas, profissionais, ativistas, organizações políticas e diferentes agentes do setor para a criação de ambientes de trabalho saudáveis".

Nele participam Joana Pinto Coelho (Associação Portuguesa de Mulheres Juristas), Pedro Penim (diretor do Teatro Nacional D. Maria II) e Rui Lopes Graça (diretor dos Estúdios Victor Cordon).

Destaca-se ainda a apresentação de um manual prático para prevenir e agir em casos de assédio laboral e sexual nas artes performativas e cruzamentos disciplinares, como resposta a algumas das conclusões apresentadas em março no estudo científico.

Está prevista ainda uma primeira ação de formação, gratuita, para "partilha de conhecimentos, discussão de casos-tipo e de ferramentas práticas", como se lê no programa.

O projeto MUDA foi lançado em 2025 por iniciativa de Catarina Vieira, Raquel André e Sara de Castro, ligadas à criação, investigação e formação em artes, com o objetivo de fazer um levantamento de situações de assédio laboral e preparar respostas para melhorar o setor.

O estudo científico apresentado em março passado, feito a partir de um inquérito nacional e entrevistas, concluiu que cerca de 75% dos trabalhadores das artes performativas inquiridos admitiram ter vivido situações de assédio moral e metade reportaram casos de assédio sexual, em ambos os casos ocorridos há mais de três anos.

Sobre assédio moral, 76% dos trabalhadores sentiram "desrespeito sistemático de horários de pausa ou períodos de descanso em nome do processo criativo" e 71% mencionou "ambientes hostis de intimidação", como por exemplo, gritos, manipulação e linguagem agressiva.

O inquérito evidencia ainda que mais de 80% dos inquiridos nunca apresentou queixa ou denúncia por situações de assédio moral ou sexual, por falta de provas e testemunhas com "o medo de não serem acreditadas".

Entre os dados revelados pelas investigadoras, é denunciada que "a predominância de trabalhos independentes e vínculos instáveis aumenta não apenas a probabilidade de as pessoas serem assediadas, mas também a dificuldade em denunciar".

Na mesma sessão de apresentação, em março, o diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, reconheceu a existência do "fenómeno" do assédio laboral nas artes performativas e a necessidade de agir, incluindo a nível político.

"Eu já sabia que o fenómeno existia, mas não sabia esta dimensão, mas é muito importante. (...) Agora há informação credível e informada. Antes havia perceção. A partir do momento que há [dados], exige-se alguma ação por parte do setor e das entidades que lidam com ele. É preciso tomar agora uma série de medidas", disse.

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