Luís Montenegro vai ser reeleito no sábado para terceiro mandato como presidente do PSD
Montenegro desafiou então quem tivesse um "caminho diferente e alternativo" a apresentar-se, no que foi interpretado como uma resposta a Pedro Passos Coelho, numa altura em que o antigo presidente social-democrata iniciava uma série de intervenções críticas para o Governo PSD/CDS-PP.
O PSD vai reeleger no sábado Luís Montenegro como presidente do partido, candidato único a novo mandato de dois anos, sem eleições no horizonte mas com um cenário de incerteza internacional e a "sombra" interna de Pedro Passos Coelho.
Num Conselho Nacional no início de março, o presidente do PSD e também primeiro-ministro surpreendeu o partido ao anunciar que iria propor a realização de diretas em maio (em vez de em setembro, como em 2024), de forma a coincidirem com os quatro anos da sua primeira eleição, a 28 de maio de 2022.
Montenegro desafiou então quem tivesse um "caminho diferente e alternativo" a apresentar-se, no que foi interpretado como uma resposta a Pedro Passos Coelho, numa altura em que o antigo presidente social-democrata iniciava uma série de intervenções críticas para o Governo PSD/CDS-PP.
Dois dias depois, Passos disse não ser "candidato a coisíssima nenhuma", dizendo que, se um dia o vier a ser, será apenas por um "imperativo de consciência".
As críticas do antigo primeiro-ministro têm continuado e esta semana subiram de tom: sem explicitar a quem se dirigia, comparou os "políticos postiços" -- que querem agradar a todos ainda mais do que os populistas -- a "prostitutos sem caráter", além de apontar falta de ritmo à atividade governativa, numa conversa pública com o líder do Chega, André Ventura.
A esta última crítica, Montenegro respondeu no debate quinzenal dizendo que o Governo PSD/CDS-PP "tem o seu ritmo" e é um "corredor de fundo".
"Há os que dizem que estamos num ritmo demasiado lento ou demasiado rápido. Nós não estamos numa coisa nem noutra, nós estamos no nosso ritmo. Somos corredores com 'endurance', somos corredores de fundo, somos corredores que sabem que para chegar ao fim numa maratona não se pode 'sprintar' nos primeiros tempos, nem se pode ir demasiado devagar e deixá-los fugir e depois não os conseguir alcançar", argumentou.
Podem votar nas 13.ªs eleições diretas do PSD 56.887 militantes (dos quais 63% são homens), depois da alteração estatutária que dá direito de voto a todos os que tenham uma quota paga nos últimos dois anos (antes era necessária quota válida no mês das diretas).
As eleições diretas para o presidente da Comissão Política Nacional do PSD decorrem em simultâneo com a eleição dos delegados ao 43.º Congresso Nacional, marcado para 20 e 21 de junho em Anadia (Aveiro).
As distritais com mais militantes e que elegerão mais delegados são Porto (105 delegados), Braga (88)e Lisboa -- Área Metropolitana (70), seguindo-se Aveiro (50), Coimbra (47) e Viseu (41).
Luís Montenegro foi eleito pela primeira vez presidente do PSD em 28 de maio de 2022, numa eleição em que derrotou com mais de 72% dos votos o antigo vice-presidente do PSD Jorge Moreira da Silva, tendo sido reeleito em 2024 já sem adversários.
Nestes dois mandatos, o PSD disputou e venceu duas legislativas antecipadas em coligação com o CDS-PP, regressando ao Governo em abril de 2024. Perdeu as eleições europeias nesse mesmo ano, mas venceu as autárquicas em 2025 -- recuperando a presidência da Associação Nacional de Municípios e de Freguesias -, bem como as regionais na Madeira e nos Açores.
Na moção com que se recandidata à liderança do partido, intitulada "Trabalhar - Fazer Portugal Maior", Luís Montenegro diz que manterá o compromisso de "não ter uma solução de governo nem com o Chega nem com o PS", mas considera ser absurdo falar de "cercas sanitárias" no Parlamento.
"O sentido do 'não é não' com o Chega é o mesmo do 'não ao bloco central' com o PS", refere, acrescentando que "não estabelecer um acordo de governação não pode nem deve significar rejeição de diálogo e negociação política".
Em especial no Parlamento, propõe-se "continuar o diálogo político com as oposições e de forma particular com os dois partidos que na oposição têm representação suficiente para viabilizar iniciativas", ou seja Chega e PS.
Na primeira apresentação pública da moção, em Sintra (Lisboa), o presidente do PSD e recandidato ao cargo admitiu que ainda tem a maioria absoluta "na mira", apesar de defender o cumprimento da legislatura até 2029.