A fortuna do discreto clã Masaveu

A fortuna do discreto clã Masaveu
Sónia Bento 09 de setembro de 2017

Têm um enorme grupo empresarial e uma das maiores colecções de arte privadas. Mas não se mostram


Os Masaveu são os terceiros maiores accionistas individuais da EDP, com uma participação de 7,19%, e estão entre os mais poderosos de Espanha, com uma fortuna estimada em 2.600 milhões de euros. Há quase 180 anos que o misterioso clã asturiano ganhou e consolidou o seu nome na banca. Hoje, tem um dos maiores grupos de empresas do país vizinho, ocupando o 14.o lugar na lista dos mais ricos.

Fernando Masaveu Herrero, que representa a quinta geração, é quem está à frente do império familiar que possui negócios em sectores tão diversos como a saúde, a banca (Santander, Bankinter e Liberbank), a energia ou os cimentos, que continuam a ser o principal activo – foram os pioneiros em Espanha, em 1898, no fabrico do cimento Portland, famoso pela sua resistência. Nos últimos anos, fortaleceram a sua estratégia de diversificação investindo nos sectores hoteleiro, vinícola e imobiliário, com parques de estacionamento e edifícios de escritórios em Espanha e nos Estados Unidos.

Uma colecção com nove séculos
Mas a jóia da coroa familiar é a colecção de arte que compete com as dos clãs Koplowitz, Thyssen ou a Casa de Alba. Ao longo de várias gerações, os Masaveu reuniram cerca de 1.500 pinturas e esculturas, que vão do século XII ao XX, de artistas como El Greco, Murillo, Zurbarán, El Bosco, Dalí, Picasso, Velázquez ou Warhol. De Goya têm, pelo menos, quatro quadros – o La Fragua, um retrato de Carlos IV e dois sobre a tourada. Algumas peças pertenceram a casas reais europeias, como o quadro da Virgem dos desamparados, que o pintor espanhol Vicente López fez para o oratório da rainha Maria Cristina, mulher do rei Fernando VII. Essa é uma das maiores colecções privadas de Espanha e é igualmente uma das menos conhecidas do público. Foi exposta poucas vezes – no Museu do Prado, no Centro Cibeles, de Madrid, e em Lisboa – e nunca na sua totalidade. No acervo, também há objectos antigos, como um violino de 1720, um Stradivarius, e uma biblioteca com mais de 70 mil volumes, que incluem as primeiras edições dos autores mais representativos dos séculos XVI e XVII.

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