(Texto publicado em setembro de 2018)
O escritor português António Lobo Antunes vai ver a sua obra integral ser publicada na Pléiade, uma prestigiada colecção francesa pertencente à editora Gallimard. A Pléiade "reúne as maiores obras do património literário e filosófico francês e estrangeiro", segundo a informação constante no site desta editora. O escritor afirmou à SÁBADO que "esta é a maior honra que um escritor pode receber".
O autor de Os Cus de Judas considera que esta "é a maior honra com que qualquer escritor pode sonhar ou esperar" - afirmação que repetiu diversas vezes durante a conversa com a SÁBADO, apesar de já ter sido apontado inúmeras vezes como candidato ao Nobel da Literatura.
Lobo Antunes garante ainda que não estava nada à espera de ver a sua obra integral ser editada pela Pléiade. "Quer dizer, é uma surpresa grande para mim. Não estava à espera."
Lobo Antunes junta-se a um grupo restrito de autores vivos publicados pela Pléiade. De momento são apenas três: Mário Vargas Llosa, Milan Kundera e Philippe Jaccottet. É também apenas o segundo português contemplado com "tal honra". O único escritor nacional que tem as suas obras publicadas na Pléiade actualmente é o poeta Fernando Pessoa.
Em declarações à Lusa, Maria da Piedade, editora de Lobo Antunes, contou que recebeu, "um telefonema da editora francesa de António Lobo Antunes" e da agente que trata dos direitos para as publicações internacionais da obra do autor, lembrando que a notícia é óptima já que se avizinha a publicação, dentro de um mês, do mais recente livro de Lobo Antunes, A Última Porta Antes da Noite.
"A entrada na Pléiade é o que de melhor há em termos de literatura internacional, em termos de prestigio internacional, só o Nobel se equipara", considerou também a editora.
Maria da Piedade destacou ainda que a extensão da obra de Lobo Antunes implica um "trabalho longuíssimo de revisão", pelo que a sua escolha pela editora francesa se reveste ainda de maior importância, porque, para escolher uma obra tão trabalhosa, tem mesmo de ser considerada extraordinária.
O autor diz ainda que não sabe como será o processo de edição da sua obra na Pléiade, nem qual a ordem pela qual irão editar os textos porque, como explicou foi apanhado de surpresa pela editora francesa que apenas o informou e felicitou pela honra. "A maior, para um escritor."