Santana Lopes: "Tenho sempre auditorias, inquéritos ou buscas”

Pedro Jorge Castro 09 de outubro de 2017

Recorde a primeira entrevista do potencial candidato à liderança do PSD depois das buscas à Santa Casa de Lisboa, em que explicou o processo dos contratos suspeitos. E diz que tem duas contas com 11 mil euros.


A SÁBADO entrevistou Santana Lopes em Dezembro de 2016, altura em que a Polícia Judiciária (PJ) fez buscas à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa por suspeitas de favorecimento em ajustes diretos e outros contratos públicos. Recorde a entrevista numa altura em que o provedor da Santa Casa pode ser, com Rui Rio, candidato à liderança do PSD.

Teve quatro colaboradores a assistir à entrevista, para o ajudarem num ou noutro detalhe. Começou quase contrariado, a assinar documentos enquanto ouvia e respondia às primeiras perguntas. Mas depois não resistiu e falou sobre a sua gestão, a relação com Helena Lopes da Costa e o caso que motivou as buscas do DIAP na semana passada. A dada altura recordou um almoço com o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, em que pensou: "Deve ser um sossego, vocês nunca têm auditorias nem inquéritos..." E continuou: "Eu estive na Câmara de Lisboa quatro anos. Antes de mim e depois de mim não houve nada. É tudo anjos; eu só levei malandros. Os malandros estiveram 10 anos a ser investigados e ao fim dos 10 anos, afinal não são malandros. Mas como é que se explica que antes de mim e depois de mim nunca tenha havido um inquérito? Eu já sei quando é que elas vêm, devo dizer, não é muito difícil de adivinhar, como calcula."

Quando é que elas vêm? Teve a ver com a eventual candidatura à Câmara ou com as presidenciais? Põe o enfoque no momento em que a auditoria foi pedida pelo ministro Mota Soares, em que foi remetida ao DIAP por Vieira da Silva, ou nas buscas?
Você sabe, está a ver como está a dizer. Quando é que a auditoria é pedida? Bumba! Quando é que a auditoria sai? Bumba! Uma coisa são as participações e denúncias, outra é a actuação das autoridades judiciais. Eu tenho sempre em todo o lado, é uma coincidência, uns nunca têm, eu tenho sempre auditorias ou inquéritos ou buscas, sempre, sempre, sempre! É sempre o mesmo estratagema: denúncia, diligência, manchete e uns anos à espera. É um bocado anormal. Como se dizia na escola, então todos os outros meninos têm direito a sossego e eu não tenho porquê?

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