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PSP do Porto desconhece polícias à paisana a identificar e deter manifestantes na acampada

A mesma fonte referiu também não ter conhecimento sobre qualquer tipo de incidentes na Praça D. João I, referindo que os manifestantes permaneceram acampados de forma "ordeira" durante a noite.

O Comando Metropolitano do Porto da PSP afirmou esta terça-feira desconhecer a existência de polícias à paisana a identificar e a deter manifestantes à saída da Praça D. João I, na noite de segunda-feira, como denunciado pela Acampada do Porto.

PSP atua durante as manifestações no Rossio
PSP atua durante as manifestações no Rossio Miguel Baltazar/Jornal de Negócios

"Não tenho conhecimento de que isso tenha acontecido. Não tenho aqui nenhum relatório" sobre essa eventual ocorrência, disse à Lusa fonte das Relações Públicas da PSP/Porto.

A mesma fonte referiu também não ter conhecimento sobre qualquer tipo de incidentes na Praça D. João I, referindo que os manifestantes permaneceram acampados de forma "ordeira" durante a noite.

Ainda de acordo com a mesma fonte, ao início da manhã permaneciam no local "cerca de 20 tendas".

Na noite de segunda-feira, Ricardo Salazar, um dos advogados que presta apoio jurídico aquele movimento, contou aos jornalistas que "chegaram indicações à organização da acampada de que estavam a ser identificados, ou estava a ser pedida a identificação, e estavam a ser detidas pessoas à saída da Praça de Dom João I e a serem levadas para a esquadra".

Segundo disse, uma vez na esquadra foram mostradas "fotografias para serem identificadas pessoas".

"Também foi indicado que supostamente está a acontecer a mesma coisa em hospitais onde as pessoas vão para receber tratamento. Polícias à paisana estão a identificar pessoas, o que a ser verdade é algo bastante sério e grave", salientou o advogado.

Para Ricardo Salazar, "se isto está efetivamente a acontecer é um caminho que pode chegar a processos políticos de intenção e perseguições de pessoas, o que é algo que já não acontecia em Portugal desde o Estado Novo".

"Neste momento estamos a ver que direitos como a manifestação estão a ser colocados em causa numa situação inaudita (...) já houve manifestações semelhantes nos 50 anos da nossa democracia, fossem de bombeiros, de polícias, de membros da JSD ou empresários da restauração, e nunca houve cargas policiais e nunca houve a aplicação do artigo 11º da Lei de 1974", explanou.

E continuou: "O que nós estamos a verificar, neste momento, é que estamos a ultrapassar todos os limites da saudável convivência entre povo e Governo e, neste momento, estamos a assistir a uma escalada de violência que tem de ser parada porque isto coloca em causa o nosso Estado de direito".

Na última assembleia popular foi explicado aos manifestantes como agir em caso de detenção e de lhes ser pedida a identificação por parte de agentes à paisana ou identificados.

Na madrugada de domingo, a PSP dispersou as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, retirando cerca de 100 tendas. A intervenção culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.

No Porto, a intervenção da PSP acabou com sete detidos.

Nos acampamentos, que começaram a 10 de outubro no Porto, os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

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